Musharraf diz que combaterá extremismo no Paquistão

Presidente lamenta por vítimas mas elogia operação militar na Mesquita Vermelha

Efe

12 Julho 2007 | 13h56

O presidente do Paquistão, o general Pervez Musharraf, defendeu nesta quinta-feira, 12, a operação militar contra a Mesquita Vermelha de Islamabad, e disse que combaterá e destruirá o extremismo religioso "em todos os cantos" do Paquistão."Não permitiremos que isso aconteça de novo", garantiu Musharraf em discurso televisionado à nação, no qual se mostrou "triste" devido à perda de vidas humanas no ataque ao templo religioso, e disse que o número de vítimas foi maior por causa da demora na operação, a fim de dar uma última chance ao diálogo.Nesta quinta, o Exército paquistanês encontrou 19 corpos carbonizados nas imediações da Mesquita Vermelha, aumentando para pelo menos 86 o número de mortos no conflito. Entre os mortos, pode haver corpos de crianças e mulheres, informaram fontes de segurança.Enquanto guiavam jornalistas para dentro da construção pela primeira vez desde a invasão da última quarta, os militares mostraram o massivo arsenal dos militantes, que incluía coletes suicidas, lança-granadas e minas."Dos cadáveres recuperados, 19 continuam irreconhecíveis e poderiam ser de qualquer sexo o idade", informou o porta-voz militar Waheed Arshad. As tropas também tiveram 44 baixas, informou Arshad. O número de feridos chegou a 44.Anteriormente, as autoridades paquistanesas informaram que não haviam mulheres ou crianças entre os mortos na Mesquita e na escola adjacente.SepultamentosParentes e vizinhos sepultaram nesta quinta o clérigo radical Abdul Rashid Ghazi, morto nos combates na Mesquita Vermelha. Os sepultamentos ocorreram um dia depois de tropas especiais matarem os últimos militantes escondidos nas ruínas da mesquita, no coração da capital, que havia sido invadido pelos militares na véspera, por ordem do presidente Pervez Musharraf, após uma semana de cerco.A ação militar provocou indignação nas regiões tribais do noroeste do Paquistão, enquanto no resto do país a maioria apoiou a decisão de Musharraf. O clérigo foi morto na terça-feira, junto a um grupo de radicais que ele havia reunido para tentar impor um regime islâmico ao estilo Taleban na capital.Seu irmão mais velho, Abdul Aziz, que no começo do cerco foi preso tentando fugir da mesquita disfarçado de mulher, comandou as orações antes do sepultamento, na aldeia da família, na Província de Punjab (leste). Os participantes quebraram o vidro do caixão e rasgaram o tecido branco que cobria o rosto de Ghazi para verificar se realmente se tratava do clérigo, de 43 anos.Em vídeo pela Internet, Ayman Al Zawahri, número 2 na hierarquia da Al-Qaeda, pediu vingança contra o presidente paquistanês.Em contraste com toda a pompa fúnebre em Punjab, dezenas de seguidores de Ghazi foram enterrados durante a madrugada num cemitério de Islamabad, sem a presença de parentes. Um clérigo leu trechos do Alcorão, mas os ritos fúnebres não foram totalmente observados, segundo um fotógrafo da Reuters presente. Os caixões não tinham nomes, apenas números de identificação. "Todas as vítimas tiveram impressões digitais retiradas, foram fotografadas e tiveram um teste de DNA feito para ajudar pais e familiares a os identificarem, e então os corpos serão entregues", disse Rana Akbar Hayat, funcionário municipal que supervisionou o enterro coletivo. Ruínas Após o local ser ocupado, os militares começaram a examinar as ruínas, e um porta-voz militar afirmou que 75 corpos foram encontrados por enquanto. Nove deles estariam carbonizados, o que torna impossível afirmar se havia mulheres e crianças entre as vítimas, de acordo com esse militar. Um funcionário municipal informou, porém, que havia duas crianças de cerca de 12 anos entre os 69 cadáveres enterrados na quinta-feira. Nove membros das forças do governo foram mortos e 29 ficaram feridos na invasão, realizada por 164 homens. O governo diz que 87 pessoas, inclusive mulheres, crianças e alguns militantes, saíram da mesquita depois do início da invasão.Parentes de militantes ou de simples alunos das escolas que funcionavam na mesquita continuam percorrendo os hospitais, desesperados por detalhes de desaparecidos. "Vasculhei quase todos os hospitais da cidade", soluçava Noor Mohammad, da região tribal do Waziristão do Norte, procurando o filho Mirza Alam, 13 anos.

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