Musharraf: eleição será em fevereiro

Um dia após telefonema de Bush, presidente paquistanês diz que deixará a farda antes de assumir segundo mandato

AP, Islamabad, O Estadao de S.Paulo

09 de novembro de 2007 | 00h00

O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, anunciou ontem que as eleições parlamentares serão realizadas até 15 de fevereiro, um mês depois do previsto, e ele deixará a chefia do Exército antes da próxima quinta-feira, quando assumirá seu segundo mandato. "Não tenho dúvida de que é preciso realizar eleições, e o cálculo é que elas têm de ocorrer até 15 de fevereiro de 2008", disse ele na TV.Os EUA, que pressionaram pela restauração da democracia, saudaram a decisão de Musharraf, que no dia 3 impôs o estado de emergência no país e destituiu seis juízes da Suprema Corte. O tribunal máximo analisava se o general Musharraf poderia ter concorrido às eleições presidenciais de 6 de outubro - quando foi reeleito pelo Parlamento - mantendo o cargo de chefe do Exército.O presidente americano, George W. Bush, havia telefonado na véspera a Musharraf - aliado dos EUA na guerra contra o terrorismo -, pedindo que ele deixasse a farda e realizasse eleições livres. "Tive uma conversa franca com ele", disse Bush a repórteres. Os EUA deram US$ 6,5 bilhões ao Paquistão desde 2001, grande parte para a luta contra os extremistas islâmicos.A ex-premiê Benazir Bhutto, por sua vez, qualificou como "insuficientes" as medidas anunciadas por Musharraf e disse que ele deveria deixar a farda ainda esta semana. Benazir, líder do maior partido de oposição, disse na véspera que seus seguidores sairão às ruas hoje e terça-feira em grandes marchas se Musharraf não restaurar a Constituição e libertar as pessoas detidas desde o dia 3. Benazir voltou ao Paquistão em outubro, encerrando oito anos de auto-exílio, após Musharraf anistiá-la das acusações de corrupção em meio a um acordo para um governo compartilhado.No entanto, as autoridades não parecem dispostas a permitir que os simpatizantes de Benazir saiam às ruas. O partido da ex-premiê denunciou ontem a prisão de 800 ativistas da oposição pelas forças de segurança na noite de quarta-feira.

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