Musharraf: emergência acaba dia 16

Após assumir mandato como civil, presidente paquistanês diz que eleições ?serão realizadas sob a Constituição?

Islamabad, O Estadao de S.Paulo

30 de novembro de 2007 | 00h00

Horas após assumir seu segundo mandato de cinco anos, o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, anunciou ontem na TV que levantará o estado de emergência no dia 16 e realizará as eleições de 8 de janeiro sob a Constituição - a principal exigência da oposição e da comunidade internacional.Musharraf também pediu que os ex-primeiros-ministros Benazir Bhutto e Nawaz Sharif - os dois líderes de oposição que voltaram recentemente do exílio - não boicotem as eleições parlamentares. Um boicote da oposição poderia prejudicar os esforços de Musharraf para legitimar seu governo por meio de uma eleição democrática."Se Deus quiser, as eleições serão realizadas de forma livre e transparente sob a Constituição", disse o presidente em um discurso na TV.A oposição mostrou-se dividida sobre como reagir. Sharif disse que seu partido e outros pequenos grupos se mostraram favoráveis, durante um encontro, a boicotar a votação. "Musharraf tomou posse hoje após assassinar o Judiciário", disse Sharif a repórteres na cidade de Lahore. Sharif reiterou sua exigência de que os juízes da Suprema Corte destituídos no dia 3 sob o estado de emergência (quando se preparavam para examinar a validade da reeleição de Musharraf) sejam restaurados em seus postos. Mas ele disse que conversará com Benazir antes de uma decisão final sobre o boicote.Benazir, por sua vez, afirmou que está relutante em deixar o campo aberto para os partidos pró-Musharraf e ainda estuda o que fazer.A cerimônia de posse de Musharraf ocorreu em Islamabad, um dia depois que ele deixou a chefia do Exército - pondo fim a 46 anos de carreira militar e cedendo a pressões internas e externas. Na posse, Musharraf defendeu seu governo e sua decisão de impor o estado de emergência, dizendo que sempre tentou levar o país em direção à democracia, mas teve de agir no interesse da estabilidade. Ele advertiu os diplomatas estrangeiros presentes contra "forçar" a democracia e os direitos humanos em países em desenvolvimento, em vez de permitir que eles "evoluam com o tempo". "Há (no Ocidente) uma obsessão, que não é prática nem realista, com sua forma de democracia, sua forma de direitos humanos e liberdades civis, algo que vocês levaram séculos para alcançar e esperam que adotemos em poucos anos e poucos meses", disse Musharraf. "Queremos a democracia, os direitos humanos e as liberdades civis, mas faremos isso do nosso jeito, pois entendemos nossa sociedade e nosso ambiente melhor do que qualquer um no Ocidente."Musharraf também saudou o retorno do exílio de Benazir e Sharif, dizendo que sua volta era "boa para a reconciliação política". REUTERS, AP E NYT

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