Musharraf: "Guerra no Iraque dissemina terror"

O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, declarou na terça-feira à noite à rede de TV CNN que sempre foi contra a invasão americana ao Iraque e afirmou que o conflito "tornou o mundo mais perigoso" - ao fim de um dia em que o presidente americano, George W. Bush, esforçou-se para convencer o povo americano de que a guerra era necessária para conter o terror. A convite de Bush, Musharraf participará nesta quarta-feira de um jantar na Casa Branca com seu colega afegão, Hamid Karzai.Musharraf e Karzai, dois aliados-chave de Washington, acusam-se mutuamente de fazer pouco para combater o terror. O ponto de discórdia entre os dois está num acordo de junho entre Musharraf e líderes tribais do Paquistão. Analistas militares atribuem à trégua o aumento de 300% nos ataques do Taleban às províncias afegãs vizinhas da área tribal.Em clima mais descontraído, o presidente paquistanês também foi entrevistado na terça-feira pelo comediante Jon Stewart, do programa Daily Show. Em um dos trechos mais engraçados da conversa (que pode ser vista no link ao lado, em inglês), Stewart pergunta quem seria escolhido presidente em uma eleição fictícia no Paquistão: George W. Bush ou Osama bin Laden. Musharraf pensa um instante e responde, tirando gargalhadas do apresentador e da platéia: "Eu acho que os dois perderiam miseravelmente." Com a violência no Afeganistão se intensificando dia a dia, as forças do país e da Otan mataram nesta quarta-feira 25 supostos taleban em Helmand, no sul do país.Em reação às demandas democratas, a seis semanas das eleições legislativas, a Casa Branca reafirmou que não liberará a íntegra do relatório de inteligência que põe em dúvida a eficácia da guerra no Iraque para conter os radicais. Nesta quarta-feira, a deputada democrata Jane Harman denunciou a existência de um segundo relatório de inteligência, que apresenta "um quadro horrível" sobre o Iraque e só seria revelado após as eleições. A Casa Branca nega.Na única boa notícia para Bush no dia, a Câmara dos Representantes aprovou nesta quarta, com 253 votos a favor e 168 contra, um projeto de lei sobre métodos de interrogatório de prisioneiros suspeitos de terrorismo. O projeto deve ser aprovado na quinta-feira, definitivamente, no Senado.

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