Musharraf impede protesto e põe Benazir em prisão domiciliar

Ordem para detenção da opositora é levantada à noite; governo alega que confinou ex-premiê para ?protegê-la?

Ap, Reuters e Afp, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

Em uma nova demonstração de força, o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, impediu ontem um grande protesto convocado pela oposição contra o estado de emergência decretado no dia 3 e colocou a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto sob prisão domiciliar o dia inteiro. À noite, o secretário do Interior, Kamal Shah, anunciou que a ordem de detenção tinha sido levantada. A polícia, porém, continuou vigiando a casa de Benazir. Partidários disseram que ela tentará sair hoje.O chefe de polícia de Islamabad, Shahid Nadeem Baluch, disse que Benazir havia sido confinada por causa de sérias ameaças contra ela. Em outubro, quando Benazir voltou do exílio, 140 pessoas morreram em um atentado lançado contra o comboio da ex-premiê em Karachi.A Casa Branca pressionou pela libertação de Benazir e disse que ela e outros membros de partidos de oposição devem ter liberdade de movimento. "É crucial para o futuro do Paquistão que as forças políticas moderadas trabalhem juntas para levar ao caminho da democracia", disse Gordon Johndroe, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.Na quinta-feira, Washington saudou a decisão de Musharraf de realizar as eleições parlamentares até 15 de fevereiro, um mês após o previsto. Mas ontem a Casa Branca também exigiu o fim do estado de emergência. "Eleições livres exigem o fim do estado de emergência", disse Johndroe. "Pedimos o levantamento em breve do estado de emergência e a libertação dos membros de partidos políticos e manifestantes."Apesar de ter intensificado a pressão sobre Musharraf, o governo americano concluiu que não há a necessidade legal de cortar ou suspender os milhões de dólares em ajuda ao Paquistão, apesar do estado de emergência e da repressão ao Judiciário, à oposição e à mídia independente, disseram funcionários de Washington. A assistência dos EUA a seu aliado-chave na guerra ao terror - que soma US$ 10 bilhões desde 2001 - é controlada por exigências legais que podem levar a cortes automáticos, mas o presidente tem o poder de vetar esses cortes.Pela manhã, a polícia cercou a casa de Benazir em Islamabad com arame farpado. Ela tentou duas vezes sair em seu carro, mas dois ônibus e um blindado impediram sua passagem. A ex-premiê pretendia fazer um discurso na vizinha cidade de Rawalpindi, onde a polícia deteve mais de cem pessoas e usou gás lacrimogêneo para dispersar centenas de manifestantes. Com um alto-falante, Benazir disse que, se Musharraf "restaurar a Constituição, deixar a farda e anunciar as eleições para 15 de janeiro, então estará tudo bem". Ela ameaçou desafiar o presidente se ele não ceder.Ainda ontem, quatro pessoas morreram e cinco ficaram feridas num atentado suicida diante da casa do ministro de Assuntos Políticos, Amir Muqam, em Peshawar, noroeste do país. O suicida tentou entrar na casa, mas foi impedido por seguranças. O ministro escapou ileso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.