Musharraf muda hierarquia militar; oposição protesta

Preparando saída do comando do Exército, presidente paquistanês promove novos militares

Associated Press e Agência Estado,

21 de setembro de 2007 | 14h14

O presidente do Paquistão, general Pervez Musharraf, promoveu mudanças na cúpula militar do país, aparentemente dando seqüência a planos de permanecer no poder como presidente civil em meio a manifestações de rua e contestações judiciais à sua tentativa de reeleição.Musharraf, um aliado dos Estados Unidos no combate ao extremismo islâmico, sinalizou esta semana que renunciaria ao comando do Exército caso um colégio eleitoral concedesse a ele um novo mandato de cinco anos na presidência num pleito marcado para 6 de outubro.Os partidos de oposição, que consideram ilegal a tentativa de reeleição por parte de Musharraf, realizaram nesta sexta-feira, 21, protestos na ruas de diversas cidades. Líderes de partidos da oposição prometeram renunciar a seus postos no Parlamento uma semana antes do pleito.O colégio eleitoral convocado para a votação de 6 de outubro é composto por todos os integrantes do Parlamento nacional e pelos deputados das legislaturas provinciais. As eleições gerais estão marcadas para janeiro de 2008.Comandado ou não por Musharraf, o comando do Exército continuará sendo uma posição de influência no Paquistão, país que alterna frágeis governos civis e regimes militares desde 1947, quando tornou-se independente do Reino Unido.Em uma reforma preliminar no alto escalão das Forças Armadas, o comando do Exército anunciou a promoção de seis comandantes à patente de tenente general.Nadeem Taj, secretário militar de Musharraf quando este assumiu o poder por meio de um golpe palaciano em 1999, foi apontado diretor-geral da poderosa agência de espionagem militar. Taj substituirá Ashfaq Kiani, visto por analistas como um possível sucessor de Musharraf no comando do Exército. Outro possível sucessor de Musharraf, Tariq Majid, foi substituído por Mohsin Kamal no posto de comandante dos corpos de Rawalpindi.O Exército não revelou se Kiani e Majid seriam promovidos ou se iriam para a reserva. Mas Talat Masood, um general da reserva que hoje atua como analista de defesa, especulou que eles provavelmente substituiriam o subcomandante do Exército e o presidente do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas - ambos se aposentando -, o que os posiciona como possíveis sucessores de Musharraf no comando geral do Exército. Os dois, segundo Masood, dariam seqüência aos passos de Musharraf.ProtestosMas as iniciativas de Musharraf para perpetuar-se no poder têm encontrado dura resistência por parte de seus rivais políticos. Centenas de islamitas protestaram nesta sexta-feira contra o presidente militar em um dia no qual a Suprema Corte do país ouvia contestações jurídicas às iniciativas de Musharraf para perpetuar-se no poder.Cerca de mil simpatizantes do maior partido religioso do Paquistão, o Jamaat-e-Islami, protestaram hoje diante da Suprema Corte. Aderiram à manifestação simpatizantes do partido do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, deposto por Musharraf em 1999.Os participantes pediam a saída de Musharraf. "Não o toleraremos. Continuaremos com nossa campanha contra eles", disse o deputado Hanif Abbasi aos manifestantes. "Não o toleraremos de jeito nenhum, com ou sem uniforme", prosseguiu.Dentro do tribunal, um painel de nove juízes ouviu hoje contestações as iniciativas de Musharraf antes de declarar recesso até segunda-feira. Uma decisão que pode determinar a elegibilidade ou não de Musharraf é esperada para o início da próxima semana. Houve protestos em menor número nas cidades de Multan, Karachi, Quetta, Peshawar e Lahore.Ameaça da Al-QaedaA popularidade de Musharraf vem desabando nos últimos meses, especialmente depois de uma fracassada tentativa de afastamento do presidente da Suprema Corte do país, Iftikhar Mohammed Chaudhry, em março. Seu governo também tenta conter uma insurgência islâmica em meio à reduzida popularidade da aliança de Islamabad com Washington.Numa mensagem divulgada na quinta, o líder da rede terrorista Al-Qaeda, Osama bin Laden, conclamou os paquistaneses a se rebelarem contra Musharraf.

Tudo o que sabemos sobre:
PaquistãoPervez Musharraf

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.