Musharraf nomeia sucessor no Exército

Presidente paquistanês também anistiou ex-premiê Benazir Bhutto

AP e Efe, O Estadao de S.Paulo

03 de outubro de 2007 | 00h00

O presidente paquistanês, general Pervez Musharraf, nomeou ontem o ex-diretor-geral do serviço secreto Ashfaq Kayani como seu sucessor no comando das Forças Armadas do país. Kayani assumirá o controle do Exército caso Musharraf consiga eleger-se para mais um mandato de cinco anos nas eleições de sábado. No mês passado, Musharraf comprometeu-se na Corte Suprema a renunciar a seu cargo no Exército até 15 de novembro, se for reeleito. O general está no poder desde 1999.Procurando aliviar as tensões que tomam conta do país antes da votação do fim de semana, o governo de Musharraf também decidiu ontem retirar as acusações de corrupção contra a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto - que governou o país em duas ocasiões, de 1988 a 1990 e de 1993 a 1996. Exilada em Londres desde 1999, Benazir pretende voltar ao Paquistão no dia 18.A decisão do governo teria sido implementada com a condição de que os deputados do partido de Benazir, Partido Popular do Paquistão (PPP), não aderissem ao boicote feito no Parlamento do país contra a reeleição de Musharraf. Ontem, 85 dos 342 deputados renunciaram ao cargo na tentativa de negar legitimidade ao presidente. Além dos integrantes do Parlamento, outros representantes opositores de diversas assembléias provinciais do país também deixaram seus cargos. Os parlamentares nacionais e provincias são os responsáveis pela escolha do presidente.A renúncia em massa une-se a outros protestos contra a candidatura de Musharraf, que na sexta-feira obteve permissão do Supremo Tribunal para apresentar-se como candidato sem ter de renunciar ao cargo de comandante do Exército. A eleição presidencial terá quatro candidatos, além de Musharraf. Dois deles apresentaram ontem novos recursos na Suprema Corte para tentar barrar a candidatura de Musharraf. Mahkdum Amin Fahim, do PPP, e Wajihuddin Ahmed, respaldado pela associação dos advogados, sustentam que a candidatura do presidente deve ser invalidada por sua condição de general.MESQUITA VERMELHAA Justiça do país também ordenou ontem a reabertura da Mesquita Vermelha, em Islamabad, fechada desde julho após ser invadida por militares numa operação para retirar radicais islâmicos entrincheirados no templo. Mais de cem pessoas morreram na ação.

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