Musharraf obtém maioria de votos em eleições presidenciais

Atual presidente é reeleito pelas assembléias paquistanesas; Suprema Corte avalia legalidade de candidatura

Efe e Agência Estado,

06 de outubro de 2007 | 09h47

O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, obteve neste sábado, 6, uma arrasadora maioria de votos para renovar seu mandato, em uma eleição marcada pela abstenção do principal partido opositor e pelas dúvidas sobre se a decisão será invalidada. O general recebeu 671 dos 685 votos dos deputados e senadores das câmaras centrais e provinciais paquistanesas, segundo os resultados divulgados pelas autoridades.   O colégio eleitoral paquistanês é formado por 1.170 legisladores, mas 199 de um setor opositor conservador islâmico renunciaram dias atrás. Além disso, o Partido do Povo do Paquistão (PPP) da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto anunciou que optaria pela abstenção.   Assim, nenhum dos dois candidatos do PPP obteve votos na eleição deste sábado, na qual o juiz Wajihuddin Ahmed conseguiu o apoio de oito deputados e seis cédulas foram declaradas nulas. O partido de Bhutto, o principal da oposição parlamentar, apresentou como um "boicote" a abstenção na votação, em anúncio realizado por seu principal candidato presidencial, Makhmud Amin Fahim.   Ele disse que o partido, que há dois dias chegou a um acordo com Musharraf, optaria pela abstenção porque a eleição é "inconstitucional" - pois o presidente continua no comando do Exército - e que o PPP "não pode participar deste processo".   Suprema Corte   Musharraf não poderá se declarar oficialmente vencedor até que a Suprema Corte decida sobre a legalidade de sua candidatura enquanto ocupa o cargo de comandante do Exército.   O Supremo determinou que a Comissão Eleitoral não poderá anunciar o resultado oficial da votação  até os juízes decidirem sobre a legalidade da candidatura de Musharraf, questionada por dois recursos de candidatos opositores.   Musharraf assumiu o governo do Paquistão num golpe militar, em 1999. Em 2002, um referendo popular concedeu-lhe um mandato de cinco anos. A Constituição, no entanto, nega a ele o direito de concorrer a outro mandato enquanto ele ocupar o cargo de comandante das Forças Armadas. Para garantir-se no poder, caso seja eleito, Musharraf prometeu renunciar à chefia do Exército em novembro.   Se sua reeleição for confirmada, Musharraf - um aliado dos Estados Unidos - tem prometido largar as armas e se tornar um líder civil, após oito anos no poder depois de um golpe militar. A decisão final da Justiça é esperada para o dia 17.   O país muçulmano entra em um período de transição de governo militar para civil que vai culminar com eleições nacionais previstas para meados de janeiro.   'Vitória' Embora alguns membros do governo, como o vice-ministro de Informação, Tariq Azim, tenham acusado o PPP de ter uma "memória seletiva" que os fez esquecer que na sexta-feira estavam negociando com "um presidente com uniforme", outros não esconderam sua satisfação, porque a decisão dos opositores ajudou a "legitimar" a votação.O anúncio da "vitória" de Musharraf foi comemorado pelos deputados presentes na Assembléia Nacional - sem a presença de opositores - e o primeiro-ministro paquistanês, Shaukat Aziz, declarou que este resultado dará "impulso à democracia" no Paquistão. O primeiro-ministro ressaltou que todo o processo ocorreu "em paz, exceto por alguns incidentes menores". Enquanto os deputados votavam, foram realizadas manifestações de centenas de advogados - o setor que propôs Ahmed como candidato - na porta das assembléias provinciais de Sindh, Punjab, Baluchistão e Fronteira Noroeste. Uma pessoa ficou ferida em Peshawar, onde os manifestantes incendiaram um veículo das forças de segurança e atiraram pedras e paus nos agentes. Em Islamabad, dezenas de pessoas fizeram uma manifestação a favor de Musharraf."Longa vida a Musharraf!", gritavam os manifestantes, na maioria mulheres, observados por vários policiais e um grupo de opositores que, silenciosos, exigiam saber o destino de pessoas desaparecidas, cujas fotos estavam expostas no gramado em frente ao edifício do Parlamento.   Matéria ampliada às 12h56 para acréscimo de informações

Tudo o que sabemos sobre:
MusharrafPaquistãopresidente

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.