Musharraf prepara-se para abandonar a farda no Paquistão

Presidente paquistanês deve deixar a chefia do Exército na quarta-feira para assumir como líder civil

ZEESHAN HAIDER, REUTERS

27 de novembro de 2007 | 09h06

O general paquistanês Pervez Musharraf despediu-se nesta terça-feira, 27, de seus colegas de farda, preparando-se para tomar posse como presidente civil do país ainda antes das eleições gerais de janeiro. Musharraf visitou a sede do Estado-Maior em Rawalpindi, e na quarta-feira deixa o comando do Exército, finalmente cedendo a uma das principais exigências da oposição e de seus aliados ocidentais. Os principais partidos inscreveram-se para a eleição parlamentar de 8 de janeiro, mas os ex-primeiros-ministros Benazir Bhutto e Nawaz Sharif, que regressaram recentemente do exílio, ainda ameaçam boicotar o pleito, organizado sob estado de emergência no país. Musharraf, que chegou ao poder por meio de um golpe em 1999, tomará posse na quinta-feira como presidente civil, segundo seu porta-voz. Ele foi reeleito no Parlamento em 6 de outubro e teve o novo mandato confirmado por um tribunal composto por juízes governistas. A popularidade de Musharraf, importante aliado dos Estados Unidos na região, vem despencando desde março, quando ele tentou demitir o principal juiz independente do país, despertando a ira de advogados e da oposição. Muitos paquistaneses que haviam sido favoráveis ao golpe contra Sharif agora se voltaram contra Musharraf, por estarem insatisfeitos com os preços dos alimentos e combustíveis. "Fico feliz por ele deixar o Exército. Durante seu regime, vimos os preços subir, e isso tornou a vida difícil para gente pobre como nós", disse Babar Ali, 25 anos, que vendia goiabas em um carrinho de Lahore. "Não o aceito como presidente porque ele deixou nossas vidas miseráveis demais." Sean McCormack, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, elogiou a promessa de Musharraf de deixar o cargo militar, mas insistiu na necessidade de revogar o estado de emergência em vigor desde 3 de novembro. A imposição da emergência permitiu a Musharraf restringir a imprensa e a oposição, suspender as garantias constitucionais e nomear novos juízes para a Suprema Corte, que acabou referendando sua reeleição. Musharraf será substituído no comando do Exército por seu ex-chefe de inteligência Ashfaq Kayani, um general bem visto por colegas ocidentais, que também trabalhou com Bhutto quando ela foi primeira-ministra no fim da década de 1980. Os militares estão em uma fase de moral baixo, envolvidos na complicada luta contra os militantes islâmicos no noroeste do país, onde ataques suicidas são comuns. Os EUA e outras potências ocidentais devem manter a pressão sobre Kayani para que o Paquistão controle o fluxo de armas e combatentes em áreas próximas à fronteira com o Afeganistão.

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