Musharraf prevê 'democracia real' e apóia próximo governo

Em discurso, presidente diz que espera que o novo governo contribua com desenvolvimento econômico

Efe,

23 de março de 2008 | 15h23

Faltando apenas um dia para a escolha do próximo primeiro-ministro do Paquistão, o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, previu neste domingo, 23, uma nova era de "democracia real" em seu país e reiterou sua vontade de colaborar com o novo governo. Musharraf mostrou seu desejo de que o novo governo contribua com a estabilidade política e com o desenvolvimento econômico, sem deixar de lado a luta contra o extremismo e o terrorismo, informou a agência estatal paquistanesa APP. "Construímos os alicerces para a democracia real nos últimos anos e colocamos o Paquistão no caminho do progresso e do desenvolvimento", disse Musharraf, em discurso durante a parada militar por ocasião do Dia do Paquistão. O presidente disse que seu "programa" democrático está prestes a terminar, com a formação de novos Executivos nacional e provinciais. Musharraf, que em 1999 chegou ao poder após um golpe de Estado, deixou a chefia do Exército em dezembro do ano passado para se tornar um presidente civil. Apesar de ter declarado estado de exceção quando ainda era chefe do Exército, em novembro de 2007, Musharraf sempre insistiu em que queria levar o país rumo a uma "transição democrática". O presidente disse que o Paquistão deve se sentir orgulhoso por ter "um dos melhores Exércitos do mundo" e reverenciou o fundador da nação, Ali Jinnah. O país lembra neste domingo o dia 23 de março de 1940, quando a Liga Muçulmana do Paquistão divulgou a Declaração de Lahore, tido como o primeiro texto em que Jinnah defende abertamente a criação de um Estado islâmico separado da Índia. As declarações do presidente ocorrem um dia antes da reunião do Parlamento paquistanês para escolher o próximo primeiro-ministro. O Partido Popular do Paquistão (PPP), vencedor das eleições de fevereiro, escolheu neste sábado, 22, Yousuf Raza Gillani, dirigente da região do Punjab, como seu candidato a primeiro-ministro. Caso a Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, vote nesta segunda a favor de Gillani na Assembléia Nacional, devido ao acordo de coalizão que tem com o PPP, o dirigente do Punjab será o novo chefe de Governo. Gillani afirmou neste domingo que seu país passa por um momento "crítico" e disse que a democracia está chegando ao Paquistão graças a Benazir Bhutto, ex-líder do PPP e que foi assassinada em 27 de dezembro, após participar de um comício em Rawalpindi. O candidato do PPP pediu a cooperação de todo o povo paquistanês e acrescentou que, se ele chegar ao poder, não será um "primeiro-ministro", mas um "servidor do povo". Perguntado sobre se, caso chegue à chefia de governo, ficaria no cargo apenas por um período limitado, Gillani respondeu que desempenhará seu trabalho e prestará seus "serviços" enquanto o partido desejar. Vários líderes do PPP tinham sugerido nas últimas semanas que o partido poderia colocar na chefia do governo um candidato que depois aceitaria ser substituído pelo viúvo de Bhutto, Asif Ali Zardari. Zardari não tem cadeira parlamentar, por enquanto, e deveria se apresentar à repetição de votação, quando um deputado abandona seu assento para que se volte a realizar eleições em sua circunscrição e outro candidato possa obter a cadeira. O Parlamento paquistanês votará nesta segunda-feira, 24, entre a candidatura de Gillani e a de Chaudhry Pervaiz Elahi, deputado da Liga Muçulmana do Paquistão-Quaid (PML-Q), que dá apoio a Musharraf.

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