Musharraf promete identificar e prender assassinos de Bhutto

O presidente do Paquistão, PervezMusharraf, disse na terça-feira que seu governo estavacomprometido com descobrir a verdade sobre o assassinato dalíder oposicionista Benazir Bhutto e com punir os culpados. Bhutto, primeira-ministra do país por duas vezes, foi mortaem um ataque realizado com arma de fogo e explosivos, no dia 27de dezembro, quando acenava para uma multidão de simpatizantes,de pé, pelo teto solar do veículo blindado no qual saía de umcomício realizado na cidade de Rawalpindi. O governo acusou a Al Qaeda pela morte de Bhutto, que davaapoio à campanha liderada pelos EUA contra a militânciaislâmica, mas muitos paquistaneses suspeitam do envolvimento deoutros inimigos, talvez até mesmo de membros dos serviçossecretos paquistaneses.Surgiu ainda uma polêmica sobre como exatamente aex-primeira-ministra perdeu a vida. Musharraf, respondendo a pressões para buscar ajudainternacional nas investigações, pediu na semana passada àGrã-Bretanha que auxiliasse o Paquistão. Uma equipe depoliciais britânicos desembarcou em Islamabad na sexta-feira.O presidente encontrou-se com a equipe da Scotland Yard naterça-feira e disse que o governo estava comprometido com"descobrir provas, encontrar a verdade e levar os responsáveispor esse crime abominável à Justiça". "Ele garantiu que a equipe de investigação terá toda acooperação das agências de investigação paquistanesas", disseum membro do governo. Os policiais britânicos afirmaram estar analisando asprovas minuciosamente a fim de determinar o que ocorreu. O assassinato de Bhutto alimentou uma onda de indignaçãocontra Musharraf e fez aumentar os temores relativos a um paísarmado com bombas nucleares e considerado vital para osesforços internacionais de combate à Al Qaeda e de pacificaçãodo vizinho Afeganistão. Os vários episódios violentos ocorridos após o assassinatodela fizeram com que as eleições parlamentares, marcadasoriginalmente para terça-feira, fossem adiadas em seis semanas.O pleito completará o processo de transição do país para umgoverno totalmente civil. As eleições, marcadas para 18 de fevereiro, vão escolher osmembros da câmara baixa do Parlamento, de onde sairá umprimeiro-ministro e um governo para atuar em cooperação comMusharraf. Também serão escolhidos os membros das assembléiasdas quatro províncias paquistanesas. O Partido do Povo Paquistanês, de Bhutto, contestou orelato oficial sobre a morte dela e pediu que a Organização dasNações Unidas (ONU) investigasse o caso. A legenda disse não confiar na investigação atual. "A equipe da Scotland Yard foi instada a investigar apenasa causa da morte e não os responsáveis por realizar, patrocinarou planejar a conspiração", afirmou o partido.

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