Musharraf rejeita ação unilateral dos EUA contra militantes

O Paquistão poderá aceitarassistência militar dos Estados Unidos contra a Al Qaeda, disseo presidente Pervez Musharraf em entrevista no domingo, mas elerejeitou a idéia de uma decisão unilateral dos EUA de enviartropas a seu país para combater militantes. "Com toda inteligência que adquirimos sobre os terroristas,nós pensamos em conjunto sobre que tipo de ação é possível eque tipo de assistência podemos ter", disse Musharraf, aliadoimportante dos EUA na região, ao programa da televisãonorte-americana Late Edition, da rede CNN. "Mas são as forças paquistanesas que agem. A prerrogativadeve permanecer com o Paquistão", disse ele na entrevistagravada no sábado. Musharraf reagiu contra uma recente declaração dopresidente norte-americano George W. Bush, que disse ementrevista que enviaria forças dos EUA em busca de Osama binLaden ou outros líderes militantes no Paquistão, caso obtivesseinteligência confiável. "Francamente, não concordo", disse Musharraf, falando dacidade paquistanesa de Rawalpindi. Musharraf, chamando Bush de "grande amigo pessoal", estásendo criticado internacionalmente desde que declarou estado deemergência no Paquistão em novembro, suspendendo a Constituiçãoe depondo juízes que ameaçavam seu futuro político. O Paquistão deverá realizar eleições gerais em 8 dejaneiro. Musharraf citou a crescente ameaça de milícias islâmicas noPaquistão --país que tem armas nucleares-- para a declaração deemergência. Washington quer ver um Paquistão estável que poderáeliminar a Al Qaeda e outros militantes pró-Taliban. Muitosacreditam que os rebeldes se escondem em regiões remotas dopaís, próximas à fronteira afegã, e fomentam a violência apartir dessas bases. Musharraf defendeu o empenho de seu país em perseguir osmilitantes, e disse que o Paquistão não pode serresponsabilizado pela força dos insurgentes. Os militantes "podem receber apoio (de áreas) do Paquistão,podem vir ao Paquistão e ter a chance de sobreviver aqui e seesconder aqui, se recuperar e voltar. Mas o apoio real, aestrutura real de tudo que está acontecendo está noAfeganistão, não no Paquistão", disse. Musharraf também defendeu suas ações recentes, e atacou oscríticos de fora do Paquistão que, segundo ele, não compreendema amplitude dos problemas do país. "Parece que estão pensando que, em países emdesenvolvimento, não há lei e é tudo uma ditadura... com alguémna liderança passando ordens", disse. "Por favor, nos entendam. Estamos combatendo terroristasaqui. Não desestabilizem o Paquistão. Vão se arrepender",acrescentou. Quando um jornalista perguntou se ele permitirá que seusrivais e ex-premiês Nawaz Sharif e Benazir Bhutto concorram àPresidência, Musharraf disse que essa decisão cabe àsautoridades eleitorais. "Não vou permitir, nem impedir. O processo legal seráseguido". (Reportagem de Missy Ryan)

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