Musharraf toma posse como presidente civil do Paquistão

Impor estado de exceção foi 'uma escolha difícil', mas ele retomou o 'processo democrático', diz governante

Efe,

29 de novembro de 2007 | 03h26

O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, tomou posse nesta quinta-feira, 29, iniciando um novo mandato de cinco anos como líder civil. Na quarta-feira, ele renunciou ao posto de comandante-em-chefe das Forças Armadas, que ocupava há cinco anos.   "Estou comovido e agradecido à nação paquistanesa por depositar sua confiança em mim", disse Musharraf. Ele prestou juramento na residência presidencial de Aiwan-i-Sadr, em Islamabad, na presença do recém-nomeado presidente do Tribunal Supremo, Abdul Hameed Dogar.   O presidente obteve a maioria dos votos na eleição presidencial de 6 de outubro. Mas os resultados só foram validados este mês pelo Supremo, depois de Musharraf declarar o estado de exceção.   Em discurso após a posse, Musharraf disse que impor o estado de exceção, no dia 3, foi "uma escolha difícil", mas ressaltou que, graças a ela, "o processo democrático voltou aos trilhos".   "Acho que estamos saindo da tempestade", acrescentou, sem anunciar no entanto uma data para suspender o estado de exceção.   A imprensa paquistanesa levantou nesta quinta-feira a possibilidade de que o presidente cancele as medidas excepcionais nas próximas horas. O procurador-geral do Paquistão, Malik Muhamad Qayum, revelou que havia consultas neste sentido.   Musharraf afirmou ainda que as eleições gerais previstas para 8 de janeiro serão "limpas, livres e transparentes". Ele considerou positivo o retorno ao Paquistão dos ex-primeiros-ministros e líderes de oposição Benazir Bhutto e Nawaz Sharif, que estavam no exílio.   "Pessoalmente, sinto que isso é bom para a reconciliação política", disse o presidente. Em relação à chefia das Forças Armadas, o presidente mostrou confiança no seu sucessor, Ashfaq Pervez Kiyani, elogiando seu "profissionalismo" e "qualidade".   Segundo a BBC, Musharraf ainda garantiu que "as eleições não serão sabotadas", acrescentado que o pleito será aberto a observadores internacionais. Musharraf ainda afirmou ser a favor da democracia e dos direitos humanos, mas disse que o país fará "democracia do seu jeito e no seu tempo". "Nós entendemos nossa sociedade, melhor do que qualquer um no Ocidente", disse. Apesar de terem apresentado suas candidaturas, Bhutto e Sharif ameaçam boicotar as eleições se o presidente não suspender o estado de exceção. A posse de Musharraf gerou protestos em algumas áreas do país. Na cidade de Lahore, a polícia entrou em choque com advogados que protestavam contra o governo.  

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