Música de Wagner gera críticas e aplausos em Israel

Uma crítica moderada do primeiro-ministro, uma reação indignada do perfeito de Jerusalém e a aprovação da maioria dos melomaníacos (apaixonados por música) foi a reação à execução em Israel da música de Richard Wagner, compositor predileto de Adolf Hitler. O famoso regente de origem argentina Daniel Barenboim, que é judeu, foi quem anunciou no fim da noite de ontem que executaria a música de Wagner, apesar de ter dito anteriormente que não o faria no mais prestigiado festival artístico israelense. "Preferia que a execução não ocorresse", comentou o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, durante reunião com o presidente do país, Moshe Katsav. "Em Israel, esta é uma questão é muito difícil para algumas pessoas e talvez isso ainda seja muito prematuro." Já o prefeito de Jerusalém, Ehud Olmert, foi mais duro e disse que a cidade teria de reconsiderar suas relações com o regente e pianista depois de este fazer com que a orquesta Staatskapelle, de Berlim, executasse surpreendentemente a abertura de "Tristão e Isolda" no Festival Israel. "O que Barenboim fez foi descarado, arrogante e insensível", reclamou Olmert à rádio do Exército de Israel. Por sua vez, Ephraim Zuroff, diretor da sucursal israelense do centro de caça a nazistas Simon Wiesenthal, com sede em Los Angeles, disse que o grupo pedirá "a todas as orquestras que boicotem Daniel Barenboim". Insultos e aplausos Primeiro, Barenboim conversou com o público por cerca de meia hora. Enquanto alguns o insultavam, a maior parte dos espectadores o ouviu em silêncio e em seguida aplaudiu de pé a iniciativa. Alguns retiraram-se do recinto enquanto gritavam "fascista", "música de campo de concentração" e proferiam insultos contra o regente. Um sobrevivente do genocídio judeu, Michael Avraham, engenheiro de 67 anos, comentou que "Wagner era um anti-semita, mas era também um grande músico. Claro que discordo de suas opiniões, mas não de sua música."

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