Músico punk cubano é julgado por representar 'perigo social'

Um cantor de músicas punk que ironizam oregime cubano chegou algemado na sexta-feira a um tribunal deHavana, mas teve sua acusação de "perigo social" aliviada eacabou multado por "desordem pública". Caso condenado, ele poderia cumprir uma pena de quatro anosde prisão por representar um "perigo social". Mas Gorki Aguila,39 anos, acabou sendo multado em 600 pesos cubanos (cerca de 30dólares) por tocar com um volume demasiadamente alto durante umensaio, disse seu pai Luis Aguila. O roqueiro recebeu aplausos e gritos de apoio de cerca de15 amigos ao ser retirado do carro da polícia, nas escadariasdo tribunal. Jornalistas e diplomatas estrangeiros (inclusivedos EUA), além de assessores de imprensa do governo, tambémpassaram boa parte do dia no local à espera do cabeludo músicopunk, que entrou calado. A audiência foi a portas fechadas, e não ficou claro seAguila será julgado imediatamente ou se foi apenas indiciado.Segundo familiares, ele foi detido na segunda-feira, durante asgravações de um novo disco da sua banda Porno para Ricardo. As músicas da banda criticam duramente o governo cubano,inclusive os líderes Fidel e Raúl Castro. Os CDs da banda sãoproibidos na ilha, mas circulam clandestinamente. O guitarrista da banda, Ciro Diaz, afirmou que o governo oconsiderou "anti-social" porque "ele não votava, não ia àsreuniões dos Comitês de Defesa da Revolução e fazia cançõescontra o sistema cubano". A acusação de "perigo social" costuma dizer respeito apessoas que no entender das autoridades podem cometer crimes,por causa de fatores como uso habitual de álcool e drogas oucomportamento anti-social. Aguila já havia sido preso por porte de drogas, o que elediz ser uma armação do governo. A Comissão Cubana de Direitos Humanos, uma entidade ilegal,mas tolerada, disse que aparentemente Aguila não cometeu crimeque justifique sua nova detenção, e por isso ele deveria serlibertado. Um recente relatório dessa comissão diz haver em cuba 219presos políticos, e que detenções breves de adversários dogoverno se tornaram muito mais comuns no primeiro semestre. As autoridades costumam acusar os dissidentes de seremmercenários a soldo dos EUA, país que há 46 anos mantém umembargo comercial contra Cuba e colabora abertamente com aoposição. (Reportagem de Jeff Franks e Esteban Israel)

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