Mwai Kibaki é reeleito no Quênia; violência explode no país

Opositor contesta resultado e alega fraude na apuração; pelo menos 15 pessoas já morreram em conflitos

Agências Internacionais,

30 de dezembro de 2007 | 16h18

O candidato do Partido da Unidade Nacional (PNU), Mwai Kibaki, foi reeleito presidente neste domingo, 30, nas eleições mais disputadas na história do Quênia. A disputa foi marcada por acusações de fraude, manipulação e dois dias de violência, que já provocaram a morte de pelo menos 15 pessoas, segundo autoridades. Kibaki venceu o seu opositor Raila Odinga, do Movimento Democrático Laranja (ODM, na sigla em inglês), por uma diferença de apenas 231.728 votos. A vitória, no entanto, está sendo contestada por Odinga e seus aliados, que alegam a existência de fraudes na apuração.  "Esse governo perdeu toda a legitimidade e não pode governar", disse o candidato derrotado, neste domingo, três dias depois da votação. Minutos após o anúncio do resultado, protestos tomaram conta de favelas de Nairóbi, onde milhares de pessoas se concentravam desde as eleições. Elas pediam pela saída de Kibaki e afirmavam que os resultados haviam sido fraudados. "Kibaki precisa sair", gritavam. A TV local afirmou que 10 pessoas foram mortas neste domingo na cidade de Kisii, reduto do candidato de oposição, Odinga, e do grupo étnico ao qual ele pertence. Moradores e vítimas afirmaram que a polícia atirou em uma multidão em Kisumu, matando outras três pessoas.  Kibaki, de 76 anos, pediu aos quenianos que deixem de lado as "paixões" da eleição e prometeu um governo livre de corrupção, que crie a unidade no dividido país do leste da África.  "Agradeço pela confiança que depositaram em mim", disse ele. "Peço que todos nós deixemos de lado as paixões que foram alimentadas pelo processo eleitoral e que trabalhemos juntos."  O sábado, 29, foi marcado por atrasos no anúncio dos resultados oficiais, o que alimentou as tensões por todo o país. Políticos trocaram acusações e os distúrbios irromperam na maioria das cidades quenianas.  Na noite de sábado, Odinga chegou a pedir publicamente que Kibaki aceitasse a derrota nas eleições, acreditando que a pequena vantagem de 38.000 votos, anunciada no sábado à noite, se manteria. ´A dúvida continua`  O observador da União Européia, Alexander Graf Lambsdorff, disse que ainda havia dúvidas quanto à exatidão da contagem dos votos. "Acreditamos que, no momento, a ECK, apesar do empenho de seu presidente, não conseguiu estabelecer a credibilidade do processo eleitoral a fim de satisfazer a todos os partidos e candidatos", disse ele, em comunicado.  A Inglaterra também manifestou neste domingo sua preocupação sobre as supostas irregularidades nas eleições do Quênia e pretende discutir a questão com outras nações, afirmou o ministro das Relações Exteriores, David Miliband. "Entramos em contato com todos os líderes políticos e instituições democráticas do Quênia para trabalharmos juntos",disse Miliband, em comunicado.

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