Na África, Obama pede democracia e fim da corrupção no continente

Em sua primeira visita à África Subsaariana como presidente dos EUA, Barack Obama, pediu ontem, em Gana, que os países africanos acabem com as práticas antidemocráticas no continente. Obama insistiu que a ajuda do Ocidente deve ser combinada com a governabilidade africana e exortou os países do continente a acabar com os conflitos, as epidemias e a corrupção.Obama fez seu discurso no Parlamento de Gana, em Acra, e elogiou o país por impulsionar suas instituições democráticas e promover transferências pacíficas de governos."O desenvolvimento depende de uma boa administração. Esse é um ingrediente que faltou durante muito tempo em vários lugares", discursou. Ele ainda ressaltou que a ajuda americana está ligada ao respeito das regras democráticas. "O que faremos, será aumentar nossa assistência aos indivíduos e instituições responsáveis, com base no esforço e no apoio de regras para um bom governo. Devemos começar com uma premissa simples: o futuro da África pertence aos africanos", disse Obama.Gana foi o país escolhido para o primeiro discurso de Obama na África Subsaariana por ser considerado exemplo de estabilidade e democracia para o restante do continente. A escolha chegou a causar mal-estar no Quênia, terra de origem da família paterna de Obama - e onde disputas étnicas mergulharam o país no caos. Gana, por seu lado, simboliza uma África diferente das imagens de guerra, miséria e corrupção do continente mais pobre do mundo. O presidente ganense, John Atta Mills, foi eleito em votação pacífica e transparente em dezembro, após a qual o ex-partido governista entregou o poder sem provocar crises.Em meio à festa e à euforia causadas nas ruas de Acra por sua estada de menos de 24 horas em Gana, Obama assinalou que a África segue como vítima das guerras, da corrupção e de maus governantes. Ele ainda reconheceu a responsabilidade do colonialismo, mas convidou os africanos a fugir da facilidade de acusar terceiros. "O Ocidente não é responsável pela destruição da economia do Zimbábue na última década, ou pelas guerras que recrutam crianças como combatentes."Obama insistiu para que todas as nações apoiem governos "fortes e sustentáveis". "A história nos oferece um veredicto claro: governos que respeitam os desejos de seu povo são mais prósperos, estáveis e têm mais sucesso", afirmou.Mais cedo, Obama disse esperar que sua viagem prove que o continente não está isolado de questões mundiais. Ele ainda ressaltou o sucesso econômico de Gana. Reformas no país produtor de cacau e ouro, que deve começar a extrair petróleo no ano que vem, também ajudaram a trazer investimentos e crescimento sem precedentes antes do impacto da crise financeira mundial. Ganenses em camisetas amarelas com fotos de Obama ao lado de Mills esperavam por um rápido olhar do presidente americano. Mas o forte esquema de segurança fez com que apenas algumas poucas pessoas conseguissem acenar para ele. AP

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.