AFP PHOTO / dpa / Michael Kappeler
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Na Alemanha, Angela Merkel volta a dialogar com social-democratas

Chanceler alemã não fecha coalizão com verdes e liberal-democratas e abre novas negociações para montar gabinete sem novas eleições

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2017 | 20h50

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, reabriu ontem as discussões para a formação de um novo governo, dois dias após o fracasso da primeira rodada de negociações, com o Partido Verde e o Liberal-Democrata (FDP). A possibilidade que mais cresceu nas últimas horas foi a reabertura de diálogo com o Partido Social-Democrata (SPD), rival histórico da União Democrata-Cristã (CDU), de Merkel.

Partido de Merkel quer formar governo em três semanas para evitar eleições

 Ao acenar para o SPD, Merkel atendeu ao presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, que pediu um acordo o mais rápido possível, para devolver a estabilidade e evitar novas eleições. Sob a liderança de Martin Schulz, ex-presidente do Parlamento Europeu, o SPD obteve seu pior resultado histórico nas eleições de 24 de setembro. 

No entanto, no comando do partido, Schulz decidiu, ainda na noite da votação, antes da divulgação dos resultados, que os social-democratas migrariam para a oposição, após ajudar a chanceler a governar em dois de seus três mandatos, o último deles entre 2013 e 2017.

Com a rejeição do FDP e do Partido Verde em fechar uma grande coalizão sob o comando de Merkel, a pressão para que o SPD reveja sua estratégia política vem crescendo. A legenda realizará sua convenção, que deveria confirmar o nome de Schulz na liderança, mas deve agora discutir a revisão de sua estratégia de rejeitar uma aliança com a CDU a qualquer custo. 

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De acordo com o jornal Süddeutsche Zeitung, um dos líderes da oposição interna a Schulz é o prefeito de Hamburgo, Olaf Scholz. Ex-dirigente do partido, Björn Engholm foi outro nome a defender ontem que o SPD revise sua posição intransigentes e facilite a formação do governo, devolvendo a estabilidade à Alemanha. No entanto, por ora, a candidatura de Schulz é a única confirmada.

Pedidos. Peter Altmaier, ministro das Finanças do governo de Merkel, também fez ontem um apelo aos social-democratas. “Nós devemos dar ao SPD a possibilidade de refletir sobre suas responsabilidades”, afirmou. “Devemos estar aptos a esclarecer, nas próximas três semanas, se é possível chegar a um governo estável com base nas últimas eleições.”

Wolfgang Schäuble, presidente do Parlamento e ex-ministro das Finanças, também pediu aos partidos que busquem um acordo que devolva a estabilidade ao país sem precisar passar por novas eleições. “A democracia exige maiorias e nossa vontade de estabilidade exige maiorias sustentáveis”, disse Schäuble. “É preciso coragem para ceder e chegar a acordo com o outro. Isto é um teste, não é uma crise de Estado. A tarefa é grande, mas pode ser resolvida.”

Recuo. Merkel teve 30,2% dos votos na última eleição e Schulz, 24,6%. Ambos os partidos tiveram seus piores desempenhos desde a 2.ª Guerra, fragmentando o Parlamento e permitindo a entrada do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que superou a cláusula de barreira e se tornou a terceira força política do país, com 12,6% dos votos. A AfD e o Die Linke, de esquerda radical, são as únicas legendas que não foram procuradas por Merkel para participar de uma coalizão de governo.

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