Na Alemanha, ex-aluno se mata após invadir escola e ferir 27

Um ex-aluno de uma escola de ensino médio de Emsdetten (oeste da Alemanha), fanático por armas, feriu 27 pessoas a tiros e morreu em seguida, após invadir o centro educacional para se vingar de seus professores. Ainda não se sabe se o jovem atirou em si mesmo ou foi morto por uma das bombas amarradas em sua cintura. A polícia não deu nenhum tiro. O jovem, de 18 anos, foi encontrado morto em uma sala de aula do segundo andar da escola, aproximadamente duas horas depois de ter entrado no prédio disparando aleatoriamente e tomado o controle do local com várias armas e artefatos explosivos. Quatro alunos entre 12 e 16 anos e o zelador da escola sofreram ferimento a tiros. Vários ferimentos eram sérios, mas não causavam risco de vida. Outras 20 pessoas, a maioria policiais que se apressaram à cena do crime, foram feridos por bombas de fumaça detonadas pelo garoto mascarado. Testemunhas e a imprensa alemã o identificaram como Sebastian Bosse, que havia completado os estudos em junho. O ex-aluno carregava dois fuzis, uma máscara de gás e artefatos explosivos presos ao corpo, assim como uma faca. Segundo informações policiais, o jovem havia anunciado em sua página na internet, na qual aparecem fotos em que aparece vestido com trajes militares de camuflagem e empunhando armas, sua intenção de "se vingar" do centro educacional. "A única coisa que essa escola me ensinou é que sou um perdedor", escreveu o jovem, do centro educacional Geschwister-Scholl-Realschule, preparatório para a formação profissional. O alvo prioritário da ação era o corpo docente. "São eles que ajudaram a me deixar na situação que estou", prosseguiu, em uma espécie de carta de despedida na internet. Segundo as investigações em curso, o jovem tinha que comparecer amanhã a um tribunal, para responder a uma acusação de posse ilegal de armas. O ex-aluno invadiu a escola às 7h28 de Brasília e, após abrir fogo indiscriminadamente, percorreu por várias partes do prédio para finalmente se entrincheirar no segundo andar. Seis dos feridos a bala eram alunos da escola e os outros dois eram uma professora e um funcionário da escola, que foi internado num hospital com um ferimento no estômago. "Após os fatos em Erfurt, decidimos isolar imediatamente a área e tentar entrar o mais rápido possível no edifício", explicou Hubert Wimber, responsável pela operação policial, em alusão ao massacre em uma escola na cidade do leste da Alemanha, em 2002. Naquela ocasião, um ex-aluno de 19 anos, também fanático por armas, que tinha sido expulso da escola, matou 16 pessoas, entre estudantes e docentes, e se suicidou em seguida. Wimber explicou que, por enquanto, as investigações seguem para tentar esclarecer se o jovem de Emsdetten se suicidou com sua pistola ou se morreu sem querer, em conseqüência de disparos de sua arma ou da explosão dos artefatos que levava presos ao corpo. Após entrar no local onde o jovem foi achado morto, especialistas desativaram os explosivos, enquanto o edifício era totalmente evacuado. O prédio estava cheio de fumaça, já que a polícia tinha lançado gás lacrimogêneo. Por isso, os especialistas tiveram que atuar com extrema precaução. Segundo a mídia alemã, alguns ex-companheiros do agressor asseguraram que, além de sua paixão por armas, era conhecido por seu interesse por cultos satânicos. A escola atacada nesta segunda-feira leva o nome dos irmãos Sophie e Hans Scholl, em memória destes membros da resistência contra Hitler. Matéria atualizada às 18h11

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