Na Argentina, Cristina envia força para combater crimes

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou que vai enviar seis mil homens da Gendarmería (força especial para vigiar as fronteiras e atuar na dissolução de manifestações) para reforçar o policiamento nos municípios da Grande Buenos Aires, onde residem 9,9 milhões de pessoas. O envio é parte do Plano Centinela, implementado por Cristina a fim de reduzir o nível de criminalidade que assola os municípios e "villas miseria" (favelas) da área oeste e sul da Grande Buenos Aires. Ali estão há décadas os principais focos de tensões sociais da Argentina.

ARIEL PALACIOS, Agência Estado

20 de dezembro de 2010 | 16h02

O Plano Centinela havia sido idealizado pelo ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) pouco antes de sua morte, em outubro. A ideia de Kirchner era atacar a criminalidade de forma ostensiva ao longo de 2011, ano de eleições presidenciais, e assim conquistar a confiança de setores da classe média. A falta de segurança e o crescimento de roubos, sequestros e assassinatos se tornaram uma das principais reclamações da população, junto com a escalada inflacionária.

Cristina negou que o principal motivo para o crescimento da falta de segurança seja pela pobreza que assola os municípios da Grande Buenos Aires. Ela sustentou que as brechas sociais e o crescimento do crime organizado são os principais fatores do aumento dos delitos.

Ocupações

Nas últimas duas semanas, diversos terrenos e parques abandonados na Grande Buenos Aires foram ocupados por milhares de sem-teto. As ocupações causaram marchas de protesto de moradores das vizinhanças das áreas ocupadas.

Em vários casos, os protestos dos moradores se tornaram ataques violentos aos grupos de sem-teto. Esse foi o caso da ocupação do parque Indo-americano em Villa Soldati, no sudoeste da cidade de Buenos Aires, por parte de centenas de imigrantes bolivianos e paraguaios. Moradores do bairro de Villa Soldati atacaram os imigrantes com paus, pedras e armas de fogo.

Os tumultos populares cresceram ao longo de três dias consecutivos, sem a presença da polícia. Os incidentes afetaram a imagem da presidente Cristina Kirchner e do prefeito portenho, Maurício Macri, de oposição.

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