Na Argentina, Cristina mantém mistério sobre seu vice

O anúncio oficial da candidatura à reeleição da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ontem à noite, foi feito três dias antes do prazo regulamentar para a apresentação dos candidatos e após vários meses de especulações sobre uma possível desistência da presidente, por supostos motivos de saúde. Mas um mistério continua: quem será o companheiro de chapa da presidente? Vários nomes são cogitados, entre eles a cunhada de Cristina, Alícia Kirchner, ministra de Ação Social e irmã do ex-presidente Néstor Kirchner, que morreu em outubro por problemas cardíacos. Também são cotados Juan Manuel Abal Medina, secretário de Comunicação, e os governadores Jorge Capitanich (Chaco), Sérgio Urribarri (Entre Rios) e José Alperovich (Tucumán).

MARINA GUIMARÃES, Agência Estado

22 de junho de 2011 | 10h31

Todos pertencem à Frente para a Vitória (FPV), facção do Partido Justicialista (PJ, também chamado de peronista), criada pelo casal Kirchner. As eleições serão realizadas no dia 23 de outubro, mas, antes disso, no dia 14 de agosto, haverá eleições internas abertas e simultâneas dos partidos para referendar os candidatos. Cristina tem 58 anos, é advogada e sucedeu o marido em 2007.

Nas pesquisas de intenção de voto, Cristina supera 40% dos votos válidos e nenhum dos candidatos da oposição chega a 30%. Para evitar o segundo turno, segundo a Constituição argentina, o candidato à presidência precisa obter 45% dos votos válidos ou 40% mais uma diferença mínima de dez pontos porcentuais do segundo colocado.

A oposição está dividida entre cinco candidatos: Ricardo Alfonsín, (59 anos, social-democrata/União Cívica Radical - UCR); Alberto Rodríguez Saá (62 anos, peronista/ Compromisso Federal); Eduardo Duhalde (69, peronista/União Popular); Hermes Binner (69, socialista/ Partido Socialista); e Elisa Carrió (54, centro-esquerda/Coalizão Cívica).

Segundo a última pesquisa da consultoria Management & Fit, divulgada no domingo, Cristina aparece com 43,4% das intenções de votos, seguida por Alfonsín (19,7%), Saá (9,1%), Duhalde (7,8%), Binner (6,9%) e Carrió (5,2%). As próximas pesquisas deverão refletir o desgaste da presidente com o escândalo de corrupção denominado "caso Schoklander", envolvendo a organização de direitos humanos "Mães da Praça de Maio", ligada ao governo. Porém, os analistas políticos não projetam mudanças substanciais no quadro eleitoral nos próximos dias.

Conforme o cronograma eleitoral, se não houver um vencedor no primeiro turno, o segundo turno será realizado no dia 20 de novembro, e a posse está prevista para 10 de dezembro. De acordo com a Câmara Eleitoral Nacional, similar ao Superior Tribunal Eleitoral brasileiro, dos 40 milhões de habitantes, 28,6 milhões estão aptos a votar. Um terço da população argentina está concentrada na província de Buenos Aires, o maior colégio eleitoral do país, que define as eleições presidenciais. A Argentina é o segundo maior país da América do Sul, depois do Brasil, de quem é o principal sócio do Mercosul.

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