Na Argentina, Fidel faz crítica indireta a Menem

Horas antes de regressar a Cuba, o presidente Fidel Castro criticou, sem chamar diretamente pelo nome, o ex-presidente Carlos Menem, a quem se referiu como "um símbolo da globalização neoliberal", que os argentinos tiraram da arena política. Fidel falou na segunda-feira à noite, durante quase três horas, a milhares de jovens, quase todos estudantes, reunidos nas escadarias da Faculdade de Direito de Buenos Aires. "A globalização neoliberal recebeu um golpe colossal", disse. "Vocês, argentinos, não sabem o serviço que prestaram à América Latina e ao mundo ao afundar nessa fossa do Pacífico, que dizem ter mais de 8.000 metros de profundidade, o símbolo da globalização neoliberal", disse Castro. Menem, um dos candidatos nas recentes eleições presidenciais, desertou do segundo turno de 18 de maio quando todas as pesquisas prognosticavam uma contundente derrota do ex-presidente para Néstor Kirchner, que foi consagrado presidente eleito. Durante seus dez anos de governo, e em conseqüência de seu alinhamento diplomático com os EUA, Menem foi um duro crítico de Castro e de seu regime socialista.O presidente cubano conseguiu manter a atenção do auditório juvenil com seu habitual tom magistral ao abordar temas políticos, científicos e culturais. A reunião foi o ponto culminante da incessante atividade de Castro em Buenos Aires, desde sua chegada no sábado para assistir à posse de seu novo colega argentino, Kirchner.

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