Na Argentina, Rua EUA vira Rua Povo do Iraque

A pacata Rua Estados Unidos, no bairro portenho de San Cristóbal, foi uma das vítimas da Segunda Guerra do Golfo. Desde esta quarta-feira, a rua passou a se chamar ?Pueblo de Irak? (Povo do Iraque). O novo ? e informal - batizado foi realizado da maneira anônima ao longo de mais de uma dezena de quarteirões.Os vizinhos de San Cristóbal consultados pela Agência Estado estiveram de acordo com a mudança. ?Os Estados Unidos precisam parar de agredir outros países?, disse Onofrio Dartes, dono de um restaurante em uma das esquinas rebatizadas.Para a dona-de-casa Maria Montes de Oca, ?a Argentina não pode ficar do lado dos EUA, um país que sempre nos roubou e que agora invade outro sem motivos, matando civis, inclusive crianças?.A moda de mudar nomes de ruas, empresas ou instituições não é nova. Em 1982, durante a Guerra das Malvinas, quando tropas argentinas enfrentaram o exército britânico, a Avenida Canning ? em memória ao primeiro-ministro inglês George Canning - transformou-se em ?Scalabrini Ortiz?, um político argentino de meados do século XX.A tradicional farmácia ?La Franco Inglesa? teve que remover apressadamente a origem da terra de William Shakespeare, e ficou ? durante meses após a guerra - apenas como ?La Franco?. Os bares tampouco escaparam da onda anti-britânica durante a Guerra das Malvinas. Os donos do bar Británico, com medo de levar uma tijolada em sua vitrine, decidiram mudar o nome. Mas por questões de pressa, o problema foi solucionado apagando-se uma sílaba. Desta forma, acabou ficando ?Bar Tánico?.Na época das Malvinas, a Rua Estados Unidos também foi alvo de um ?rebatizado?, já que os vizinhos da área consideraram que a terra do Tio Sam estava apoiando o inimigo britânico de forma ostensiva. Por este motivo, a rua tornou-se temporariamente ?Rua Força Aérea Argentina?. Nesta quarta-feira, o presidente Eduardo Duhalde declarou que a Argentina ?não está a favor de ninguém? neste conflito: ?Estamos contra a guerra, e a favor da paz?. Segundo o presidente, o governo ofereceu à ONU o envio de técnicos, como médicos e especialistas na remoção de minas explosivas. ?No entanto, não mandaremos nem alimentos nem técnicos.?Estudantes e associações de desempregados manifestaram-se na frente das filiais do McDonald?s no centro de Buenos Aires em protesto contra a Guerra do Iraque. Veja o especial :

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