Timothy A. Clary/ AFP
Timothy A. Clary/ AFP

Na assembleia da ONU, países querem retomar pressão para reforma do Conselho de Segurança

Subsecretário-geral de Assuntos Políticos Multilaterais, Europa e América do Norte do Itamaraty, embaixador Nelson Antonio Tabajara de Oliveira, diz que Brasil, Índia, Japão e Alemanha discutirão formas de dinamizar o debate

Lu Aiko Otta / Brasília, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2018 | 16h59

BRASÍLIA - Antiga prioridade da política externa brasileira - colocada em segundo plano nos últimos anos -, a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) deverá voltar à pauta durante a 73ª Assembleia-Geral do organismo, que será realizada na próxima semana em Nova York. O G-4, formado por países que pleiteiam um assento permanente (Brasil, Índia, Japão e Alemanha), discutirá formas de dinamizar o debate. 

"Queremos retomar uma dinâmica maior", disse nesta sexta-feira, 21, o subsecretário-geral de Assuntos Políticos Multilaterais, Europa e América do Norte do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Nelson Antonio Tabajara de Oliveira. "Começar a fazer propostas mais concretas." Ele acrescentou que um novo formato pode redinamizar a própria ONU, até mesmo no tratamento de outros assuntos.

A reforma será abordada no discurso do presidente Michel Temer que, como ocorre tradicionalmente, abrirá a sessão de debates da assembleia-geral na terça-feira. Antes de ir à tribuna, o presidente deverá reunir-se com o secretário-geral da ONU, António Guterres.

O Conselho de Segurança da ONU tem cinco membros permanentes: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China. Há muitos anos, o G-4 pressiona por uma reforma que reflita a evolução da geopolítica mundial no pós-guerra. 

Outro tema que deverá ganhar destaque nessa edição da assembleia da ONU é o das migrações. O Brasil patrocina um evento paralelo chamado "Road to Marrakesh", preparatório a uma reunião ministerial que discutirá o tema no Marrocos, em dezembro, por iniciativa das Nações Unidas.

A crise migratória dos venezuelanos, em particular, deverá ser um dos principais temas da reunião que Temer terá com o presidente da Colômbia, Iván Duque. A Colômbia é o país mais afetado pelo fluxo de pessoas que escapam da crise econômica e política que afeta a Venezuela. Temer não foi à cerimônia de posse de Duque, no dia 7 de agosto. Essa será a única reunião privada com outro chefe de Estado.

Temer desembarca em Nova York no domingo. Na segunda-feira, participa de almoço na Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. O presidente retorna ao Brasil na terça, após o discurso na ONU.

A reunião do G-4 e o Road to Marrakesh são eventos paralelos aos quais deverá comparecer o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes. Em sua programação, estão previstos também um pronunciamento na Cúpula Nelson Mandela, promovida pela ONU para homenagear o centenário de nascimento do líder sul-africano e uma participação em evento para marcar o Dia Internacional de Eliminação de Armas Nucleares. Segundo Tabajara, esse é um tema ao qual o Brasil atribui grande importância, tendo sido o primeiro a assinar o acordo internacional que trata do tema.

Estão programadas ainda reuniões paralelas dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e do Ibas (Índia, Brasil e África do Sul). Em ambas, o Brasil atuará como coordenador. No ano que vem, o País assumirá a presidência temporária dos dois grupos. 

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