Elvis Marukcic/AFP
Elvis Marukcic/AFP

Na Bósnia, sob a neve, centenas de migrantes esperam por abrigo

Composto principalmente por paquistaneses e afegãos, grupo vive entre ruínas do campo de Lipa, que pegou fogo há duas semanas

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2021 | 06h00

BIHAC - A neve caiu sobre centenas de migrantes sem abrigo presos na Bósnia a caminho da Europa na sexta-feira, 8, esperando por um abrigo temporário já que seu acampamento foi vítima de um incêndio há mais de duas semanas, testemunhou um fotógrafo da Agência France-Presse.

As temperaturas estão congelando nas ruínas do campo de Lipa, no noroeste da Bósnia, perto da fronteira com a Croácia. O nevoeiro está presente com frequência e a região está coberta de neve.

O campo, onde viviam mais de 1.300 migrantes, principalmente paquistaneses e afegãos, foi devastado por um incêndio em 23 de dezembro, após a retirada da Organização Internacional para as Migrações (OIM), que administrava o local.

Centenas de migrantes estão esperando desde então, reunidos em cerca de vinte tendas montadas na área pelo exército bósnio, muitos deles em uma floresta próxima.

"Não há água, eletricidade ou chuveiros. Neva, chove, as pessoas não têm remédios. É tudo problema. Quase não temos o que comer", disse à Agência France-Presse Assad Ali, um paquistanês de 30 anos.

As tendas improvisadas, que serão equipadas com aquecimento e podem acomodar cerca de 900 pessoas, poderão ser utilizadas "nos próximos dias", afirmou o prefeito de Bihac, Suhret Fazlic.

No momento, os voluntários da Cruz Vermelha estão distribuindo alimentos para mil pessoas, disse Selam Midzic, o chefe local da organização, à Agência France-Presse.

O IOM justificou sua retirada de Lipa pelo fato de que o acampamento não era adequado para o inverno. A polícia da Bósnia suspeita que os migrantes atearam fogo no campo para denunciar sua situação. /AFP

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