Ammar Awad/Reuters
Ammar Awad/Reuters

Na capital iemenita, tiros da madrugada dão lugar a tensa calma

Especialistas esperavam uma trégua, mas o vácuo político no Iêmen parece ter despertado a ânsia dos opositores

O Estado de S. Paulo, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2011 | 00h00

A expectativa de que a oposição daria uma trégua no conflito armado no Iêmen, em meio a uma disputa pelo poder político, não se confirmou, apesar da ausência no país do presidente Ali Abdullah Saleh. Ele está na Arábia Saudita recuperando-se de ferimentos sofridos durante o bombardeio a mesquita anexa ao palácio do governo, onde rezava.

Os acontecimentos parecem ter despertado a ânsia dos oposicionistas e tiroteios e explosões de bombas passaram a ser ouvidos na parte norte da cidade na madrugada de ontem durante confrontos com as forças de segurança. A calma só foi retomada quando o dia já estava claro. O governo informou que ninguém morreu nos confrontos, mas a situação no país impede a verificação independente dos fatos.

Especialistas esperavam uma redução dos confrontos entre os soldados de Saleh e as oposicionistas, comandadas pelo líder tribal xeque Sadeq al-Ahmar. Mas não foi o que ocorreu. A capital, Sanaa, estava sem eletricidade. Havia pouca movimentação nas ruas e forte presença militar. Os jornais vespertinos anunciaram ontem que a cirurgia pela qual o presidente havia passado para remover estilhaços do corpo tinha transcorrido sem maiores problemas e seu estado era bom, contrariando fontes ocidentais, segundo as quais Saleh teria sofrido queimaduras graves em até 40% de seu corpo. O governo iemenita anunciou ainda que dois aviões tinham levado o presidente e a família dele para a Arábia Saudita.

Grande parte da população espera que o presidente não retorne ao Iêmen e a oposição assuma interinamente o comando do governo, pondo fim às manifestações e ao vácuo político que se está se instaurando no país. Ao longo da terça-feira manifestantes exigiram de forma pacífica a formação de um gabinete interino até que novas eleições possam ser realizadas.

Com o reforço da segurança, os confrontos em Sanaa diminuíram ao longo do dia, dando à capital uma sensação de mais tranquilidade.

No entanto, confrontos foram registrados em outras partes do país. Em Taiz, segunda maior cidade do Iêmen, forças leais a Saleh entraram em choque com 400 pessoas, muitas da tribo rival Hashed. Pelo menos três pessoas morreram e algumas ficaram feridas.

As forças de segurança também entraram em confronto com militantes islâmicos na cidade de Zinjibar, no sul do país, deixando pelo menos 15 mortos, segundo notícias divulgadas pela imprensa.

Houve ainda choques na fronteira iemenita com a Arábia Saudita, com um homem armado matando dois guardas de fronteira sauditas e ferindo um terceiro antes de ser morto, segundo funcionários sauditas.

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