REUTERS/Jose Cabezas
REUTERS/Jose Cabezas

Na caravana de imigrantes, crianças são mais vulneráveis

Muitas são bebês de apenas alguns meses, outras estão viajando sozinhas em meio à multidão ou com irmãos

O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2018 | 05h00

SAN PEDRO TAPANATEPEC, MÉXICO - Os meninos deixaram Honduras e partiram atrás da caravana de imigrantes que tinham visto na TV. Um deles disse à mãe que iria ao treino de futebol. O outro escapou no meio da noite. Disseram que se encontraram no meio da multidão com a qual seguiram para uma pequena cidade no sul do México.

Apesar de uma infecção na garganta e da febre, Isaac Reyes Enamorado estava determinado. “Nunca pensei em voltar”, disse o garoto de 12 anos, na praça central de Tapanatepec.

Duas quadras adiante, Javier Flores Maldonado estava deitado em um tapete de ioga. Poucos dias antes, o menino de 16 anos soube que sua mãe ficou doente ao saber que ele não tinha ido ao treino, mas estava na caravana seguindo para os EUA. Agora sua família quer que ele volte.

Havia cerca de 2,3 mil crianças entre os 9,3 mil membros da caravana quando ela entrou no México, no dia 19, de acordo com o Unicef. Essas crianças são os imigrantes mais vulneráveis entre os que buscam asilo: alguns têm somente alguns meses e dormem em carrinhos, cujas rodas já estão se desmanchando após semanas na estrada. Outras viajam sozinhas ou com irmãos. 

O maior perigo é para as que estão desacompanhadas. Se conseguirem chegar à fronteira entre o México e os EUA serão parte dos mais 250 mil menores que cruzaram sozinhos nos últimos cinco anos, a maioria fugindo da violência de gangues e da pobreza na América Central. 

Javier agora enfrenta uma escolha: abandonar seu sonho de uma vida melhor nos EUA ou machucar o coração de sua mãe. No fim, acabou pegando um ônibus com outros 80 imigrantes para voltar para casa, mas já tinha tomado uma decisão:     assim que economizasse dinheiro suficiente tentaria ir de novo para os EUA, desta vez com um “coiote”. “Assim, minha mãe saberá que estou seguro”, disse. / W.POST

 

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