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Na Catalunha, o empate é da casa

Os separatistas puseram a bandeira catalã na primeira página dos principais jornais do planeta, carimbaram o premiê Mariano Rajoy como repressor e deram um passo inequívoco na direção de maior autonomia, ou mesmo independência

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2017 | 03h00

Culturalmente, a Catalunha nunca pertenceu à Espanha. Tanto no idioma quanto na bandeira, sempre esteve mais próxima da Provença que de Castela. Politicamente, qualquer que seja o resultado hoje, os separatistas sairão vitoriosos. Não por conseguir a independência, já que o plebiscito foi julgado ilegal pelo Tribunal Constitucional – e, mesmo que tenha se comprometido a declará-la em caso de vitória do “sim”, o governo catalão nem pensa em usar a força para defendê-la. Mas porque o governo espanhol também não sai vencedor. Nenhum dos dois lados terá imposto sua vontade ao outro. O placar final é um empate – e, neste caso, o empate favorece o time da casa. 

Os separatistas puseram a bandeira catalã na primeira página dos principais jornais do planeta, carimbaram o premiê Mariano Rajoy como repressor e deram um passo inequívoco na direção de maior autonomia, ou mesmo independência. Os próximos movimentos dependem da reação da comunidade internacional, sobretudo da União Europeia, mediador previsível entre as duas partes. O maior trunfo dos catalães é jamais ter lançado mão da violência (com raras exceções), ao contrário de bascos ou irlandeses. Ninguém quer de volta os mortos nas ruas de Barcelona durante a Guerra Civil ou a repressão dos quase 40 anos de franquismo. Outro trunfo será corolário natural do plebiscito: o crescimento do movimento separatista.

A nova onda do “patrioticamente correto”

O analista Alex Nowrasteh, do conservador Cato Institute, criou um termo para descrever o que chama de “versão nacionalista de regras para o discurso, comportamento e opiniões aceitáveis”. O “patrioticamente correto”, diz ele, é tão nocivo quanto o “politicamente correto”. A crítica é de dezembro de 2016, bem anterior à controvérsia dos jogadores de futebol americano ajoelhados em protesto durante o hino nacional.

Risco nuclear dentro dos Estados Unidos

A Coreia do Norte preocupa. Mas o descaso da gestão Donald Trump com o Departamento de Energia (DoE), onde posições-chave continuam em aberto, também traz risco nuclear. Todos os inspetores de energia atômica do mundo são treinados lá. O DoE fornece a outros países equipamento para detectar radiação. Só a coleta de urânio e plutônio que poderiam ser usados em artefatos rudimentares consome US$ 2 bilhões anuais. “Em oito anos, foi recolhido material para 160 bombas”, diz Michael Lewis na Vanity Fair.

Pregação jihadista resiste no YouTube

Continuam no YouTube vídeos com a pregação do terrorista Anwar al-Awlaki, líder da Al-Qaeda na Península Arábica, conhecido por aliciar jovens americanos, morto no Iêmen em 2011. Um relatório do Counter Extremism Project mostra que Al-Awlaki aparece nas sugestões de conteúdos relacionados e de autopreenchimento. Mais de 250 empresas, diz o relatório, cortaram anúncios porque o Google se revela incapaz de banir o conteúdo extremista.

Vigilância contra o ‘Breitbart’ no Twitter

A conta Sleeping Giants, no Twitter, reivindica ter, sozinha, retirado do site Breitbart mais de 3 mil anunciantes, ao apontar que suas marcas estavam associadas a conteúdos tidos como racistas. O efeito nas contas do Breitbart, financiado pelo bilionário Robert Mercer, é irrisório.

As bonecas infláveis dos chineses

A China tirou do ar o aplicativo para celular Ta Qu, que oferecia aluguel de bonecas infláveis, em vários modelos, por US$ 45 diários. Uma reportagem no Global Times estima que a venda de acessórios sexuais em sites chineses cresceu 50% ao ano, entre 2011 e 2016.

 

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