Na China, Obama defende liberdade de informação

'Creio que quanto mais a informação flui, mais forte se torna uma sociedade', disse o presidente dos EUA

AE, Agencia Estado

16 Novembro 2009 | 09h38

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu hoje a liberdade de expressão na internet durante encontro com estudantes chineses em Xangai. "Eu sempre fui um defensor do uso aberto da internet. Sou um grande defensor da ausência de censura. Creio que quanto mais a informação flui, mais forte se torna uma sociedade", afirmou o líder norte-americano no primeiro dia de sua visita à China. Obama não fez nenhuma citação específica à questão do Tibete. Recentemente, ele se recusou a receber o dalai-lama, líder espiritual dos tibetanos, em Washington antes da visita à China.

 

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A decisão do presidente dos EUA de se referir ao poder na internet tem caráter simbólico. O uso livre da rede mundial de computadores foi considerado fundamental para que Obama, inicialmente considerado um azarão, construísse sua vitoriosa corrida à Casa Branca. Além disso, o comentário teve como alvo o fato de as autoridades chinesas controlarem o uso de redes sociais e páginas de uso em massa na internet, como Twitter, YouTube e Facebook.

Acusado de colocar em segundo plano as preocupações com os direitos civis e humanos para não melindrar o governo chinês, Obama defendeu "direitos universais" de expressão política, liberdade religiosa e liberdade de informação para todos, em qualquer lugar. "Esses direitos deveriam estar disponíveis a todos os povos, inclusive minorias étnicas e religiosas, seja nos Estados Unidos, na China ou em qualquer outra nação", afirmou, ressalvando que nem mesmo em seu país isso funciona com perfeição.

Sem rivalidade

No primeiro dia de sua visita à China como parte de um giro pela Ásia, Obama defendeu ainda que os dois países, rivais econômicos interdependentes, não precisam ser adversários. O presidente norte-americano também respondeu a perguntas dos estudantes presentes e de pessoas que assistiram ao evento pela internet. Os temas discutidos variaram dos "direitos universais" a Taiwan ao astro de basquetebol chinês Yao Ming, que joga nos EUA.

O "Wall Street Journal" observou, no entanto, que os comentários de Obama provavelmente alcançaram poucos chineses. Ao contrário do que ocorreu nas visitas de seus antecessores Bill Clinton e George W. Bush à China, a fala de Obama não foi transmitida ao vivo em rede nacional de televisão. Uma emissora local de Xangai transmitiu o evento pela televisão e pela internet, mas uma transmissão em rede nacional prometida pela estatal de notícias Xinhua não se concretizou.

Depois de cumprir agenda em Xangai, Obama embarcou para Pequim, onde se reunirá amanhã com o presidente da China, Hu Jintao. Ele foi recebido hoje na capital chinesa pelo vice-presidente Xi Jinping, amplamente visto como o favorito para suceder Hu Jintao na transição aguardada para 2012. As informações são da Dow Jones.

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