EFE
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Na Cidade do México, estátua de Colombo dá lugar a guerreira indígena

Com retirada de símbolos coloniais, Cidade do México expõe debate sobre herança étnica e feminismo

The New York Times, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2021 | 05h00

Estátuas de Colombo estão sendo derrubadas em vários países, em meio ao debate sobre o legado da conquista e do colonialismo europeu. Poucas disputas foram mais duras do que a substituição de um monumento no coração da capital mexicana, que tocou em uma intensas discussão política que não trata apenas de raça e história, mas também de gêno.

A prefeita Claudia Sheinbaum anunciou que a estátua de Colombo, instalada no principal bulevar da Cidade do México, será substituída pela imagem de uma indígena. Sheinbaum é pré-candidata á presidência, em 2024, e a nova estátua é vista como uma tentativa da prefeita de explorar tensões culturais, incluindo a crescente resistência das mulheres a uma cultura dominada por homens.

“A nova estátua representa a luta das mulheres, particularmente as indígenas, ao longo da história mexicana”, afirmou Sheinbaum, no aniversário da chegada de Colombo às Américas. “É a história do classismo e do racismo que remontam ao período colonial.” 

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, padrinho político da prefeita, foi além de seus antecessores na denúncia ao histórico de colonialismo, na celebração da cultura indígena e ao apresentar-se como defensor dos pobres contra a oposição conservadora, em sua maioria uma elite descendente de europeus. 

Ele organizou celebrações para marcar os 500 anos da queda da capital asteca, Tenochtitlán, e percorreu o país pedindo desculpas a comunidades indígenas pelas atrocidades coloniais.

Mas López Obrador tem demonstrado menos sensibilidade em relação ao movimento feminista. Nos anos recentes, as mexicanas têm tomado as ruas para exigir ação contra uma das mais elevadas taxas de violência doméstica da América Latina. Pelo menos 10 mulheres ou meninas foram assassinadas diariamente no México no ano passado e a maioria dos crimes permanece impune. 

Neste ano, milhares de mulheres protestaram na Cidade do México, atacando com bastões e lança-chamas improvisados os muros do palácio presidencial. Manifestantes também atacaram estátuas coloniais, vistas por elas como símbolos da hegemonia masculina no México. 

 López Obrador minimizou esses protestos e chegou a qualificá-los como uma manobra da oposição para desestabilizar seu governo. No mês passado, ele declarou que o movimento feminista foi criado somente após ele assumir a presidência, em 2018. “Elas se tornaram feministas conservadoras apenas para nos prejudicar”, disse. 

 A estátua de Colombo, forjada em bronze, em 1877, e instalada sobre um pedestal, foi depredada por manifestantes no passado, e as autoridades a retiraram após ameaças de mais danos. 

Em seu lugar, será colocada a réplica de uma escultura de pedra chamada “A Jovem de Amajac”, que foi descoberta em janeiro no Estado de Veracruz, esculpida na época das viagens de Colombo. A nova imagem tem 6 metros, três vezes a altura da original, atualmente preservada no Museu Nacional de Antropologia da Cidade do México. /  TRADUÇÃO DE GUILHERME RUSSO

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