Kena Betancur/AFP
Kena Betancur/AFP

Na cidade natal de Biden, democratas estão cautelosos

Ainda traumatizados pela derrota de Hillary Clinton em 2016, eleitores não se deixam levar por pesquisas

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2020 | 04h30

Para David Mitchko, não resta dúvidas: Donald Trump pode ganhar na Pensilvânia. Em Scranton, a cidade natal de Joe Biden, a confiança dos republicanos a dez dias das eleições americanas contrasta com a cautela dos democratas, ainda traumatizados pela derrota de Hillary Clinton em 2016. 

Em Olyphant, um subúrbio ao norte de Scranton, Mitchko, de 53 anos, está fazendo campanha ativamente pelo atual presidente e não presta atenção nas pesquisas. As sondagens dão a Biden uma vantagem de cinco pontos neste Estado-chave.

"Não acredito nem por um segundo nas pesquisas", explica com calma, sem máscara, entre dois ataques de tosse.

"Há quatro anos não havia nenhuma faixa de Trump nesta área, é uma área democrata, mas as coisas estão mudando. O apoio ao presidente é ainda maior do que em 2016", disse, demonstrando o mesmo otimismo que em agosto, durante um encontro prévio com a Agência France Press. 

A área de Scranton, uma cidade de 75 mil habitantes, foi o lugar que viu Biden nascer há 77 anos. 

Nova surpresa de Trump?

Do outro lado da rua, Matt Malloy também está convencido de que o magnata mais uma vez fará uma "surpresa", apesar do que dizem as previsões. 

"Não sei se vai ganhar (Scranton), mas acredito que vai ganhar o país", afirma.

Embora Scranton seja majoritariamente democrata, seus subúrbios não são. Hillary Clinton ganhou o condado de Lackawanna, ao qual a cidade pertence, com uma margem estreita de três pontos em 2016. Mas perdeu a Pensilvânia por um ponto. 

O trauma de 2016

A poucos metros da lanchonete Hank's Hoagies, onde Biden chegou a comprar balas na década de 1950, Nick Boyer conta que votará pelo candidato de Scranton, mas admite ter dúvidas sobre suas chances de ganhar. 

"Creio que Donald Trump vai ganhar porque tem muito apoio no sul (dos Estados Unidos). Espero estar equivocado", disse o estudante de direito penal. 

Sua namorada, Logan McCann, de 21 anos, que irá às urnas pela primeira vez, também admite estar "um pouco estressada" com o destino do candidato democrata. "Hillary Clinton ganhou o voto popular em 2016 e não foi eleita. Tenho medo de isso acontecer de novo", desabafou. 

"Nenhum democrata nos Estados Unidos está seguro (da vitória) porque em 2016 todos se surpreenderam, inclusive Donald Trump", afirma Bill Burke.  Ele vive em uma casa de luxo na rua North Washington, a mesma avenida onde o ex-vice-presidente Biden viveu até os 10 anos. 

"A maioria dos democratas vê as boas notícias, as pesquisas e tudo isso, e se perguntam freneticamente: 'Ok, onde está o perigo? Como (a vitória) vai nos escapar?'", resume o professor de história de 55 anos.

Consciente do que está em jogo, Biden voltou à Pensilvânia no sábado pela 16ª vez desde junho de 2019, segundo estimativas da emissora NBC. Ambos os candidatos esperam seduzir o Estado e ganhar seus 20 representantes, cruciais para conquistar a vitória em novembro. /AFP

 

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