''Na classe, somos cidadãos sem etiqueta''

O taxista Álvaro Ballero, de 56 anos, considera-se um dos avôs do Centro de Formação para a Paz e a Reconciliação (Cepar) . Ex-integrante do grupo paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), onde foi motorista de caminhão por oito anos, Ballero cursa o ensino médio no Cepar nos fins de semana, em período integral. "Estudamos juntos, não temos nada a ver com o passado do outro, aqui não se comenta nada disso", conta sobre o convívio com os colegas. "Dentro da sala de aula, somos todos cidadãos sem etiqueta."

, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2010 | 00h00

Fundado na década de 90 para combater as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN), as AUC acabaram se unindo aos narcotraficantes e praticando os mesmos delitos que os grupos criminosos. Ballero trabalhava para Don Berna (Diego Fernando Murillo, do chefe da Oficina de Envigado e líder do tráfico em Medellín, extraditado para os EUA em 2008),

Pai de dois filhos - um deles se tornou investigador da polícia -, o taxista deixou os paramilitares em 2005, quando aderiu ao programa federal Paz e Reconciliação, que reinsere ex-combatentes na sociedade. Ele diz que se arrepende de ter trabalhado para Don Berna, mas admite que, sem o megatraficante, ele jamais teria conseguido custear a educação dos filhos. "Quando você se dá conta de que está envolvido no paramilitarismo, é tarde demais para sair", afirma.

Ballero diz que nunca pegou em armas. Motorista há 35 anos, ele dirigia um caminhão e era responsável pela logística dos paramilitares, e fazia o transporte de suprimentos de Medellín para os acampamentos de combatentes.

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