Na Colômbia, deputados equatorianos denunciam ´ditadura´

Quatro dos deputados cassados no Equador, que na segunda-feira, 24, receberam seus cargos de volta por decisão do Tribunal Constitucional (TC), foram à Colômbia para evitar uma eventual detenção e se declararam "perseguidos políticos" em entrevistas por telefone à imprensa equatoriana.O Equador vive "uma ditadura", disse o social-cristão Alfonso Harb. Ele afirmou que o grupo voltará ao país se receber garantias de que terá todas as garantias processuais em caso de detenção.Harb disse à Rádio Sonorama que não pediu asilo político. Mas procurou segurança na Colômbia, após a confirmação de que um tribunal de Quito recebeu um pedido da Promotoria para decretar a prisão por "sedição" de 24 dos 51 deputados que recuperaram seus mandatos.Segundo outros órgãos de imprensa, além de Harb estão na Colômbia o também social-cristão Alfredo Serrano, e ainda Sylka Sánchez e Gloria Gallardo, ambos do Partido Renovador Institucional Ação Nacional (Prian), todos de oposição ao governo do presidente Rafael Correa.Harb insistiu que tanto a promotora quanto a juíza do caso receberam nos últimos dias fortes pressões do governo para tramitar a detenção dos deputados opositores destituídos. Na sua opinião, porém, o tribunal não tem jurisdição sobre o caso, pois os legisladores têm direito a fórum privilegiado, na Corte Suprema de Justiça.O deputado insistiu que a destituição dos 57 foi "injusta" e "inconstitucional" e afirmou que todos continuam sendo deputados. Já os suplentes que abandonaram a disciplina partidária e assumiram seus postos no Congresso são "cidadãos comuns".Decisão do TribunalO TC aceitou na segunda-feira um recurso para restituir os cargos de 51 deputados, que faziam parte dos 57 destituídos em março pelo Tribunal Supremo Eleitoral (TSE).O pedido de detenção foi resultado de uma denúncia apresentada na semana passada por Miguel Castro, deputado suplente do Partido Sociedade Patriótica (PSP), do ex-presidente Lúcio Gutiérrez.Segundo a denúncia de Castro, os parlamentares teriam cometido atos de sedição ao se considerarem deputados, dignidade que, na sua opinião, não têm desde que foram cassados pelo TSE.O presidente Correa pediu na terça-feira que, "para tranqüilizar a nação", seja retirada a ação apresentada contra os 24 deputados.A chanceler equatoriana, María Fernanda Espinosa, declarou aos jornalistas que no Equador "não há perseguidos políticos".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.