Na Colômbia, jornalistas reagiram à intimidação

Experiência da imprensa colombiana serviria de exemplo a mexicanos para contornar ameaça dos cartéis da droga

Roberto Simon, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2010 | 00h00

Não é a primeira vez que um jornal latino-americano é empurrado para os limites da sobrevivência e ética pelos barões da droga, como no caso do El Diário, de Ciudad Juárez. A sangrenta mordaça do narcotráfico foi colocada de forma sistemática sobre jornalistas colombianos nas décadas de "guerra às drogas". E, com o tempo, eles reagiram.

Ainda que a ação dos cartéis nos dois países seja fundamentalmente distinta, a experiência de jornalistas colombianos traria algumas lições aos colegas do México.

"Mexicanos vivem hoje o que nós (colombianos) vivemos no fim dos anos 80", afirmou ao Estado Eduardo Marquez, presidente da Federação Colombiana de Jornalismo (Fecolper) e cofundador ONG Medios por la Paz (Mídia pela paz). À época, teve início na Colômbia o chamado "narcoterrorismo", quando redações eram alvos de bombas e repórteres, de matadores.

"A reação imediata da imprensa foi a autocensura. Depois, jornalistas criaram mecanismos para, juntos, driblar essa mordaça", diz Marquez. Um deles era a estratégia de jornais, revistas e TVs de divulgar, sempre simultaneamente, as denúncias mais graves. "E se um jornal tivesse de sair em branco, então todos sairiam em branco."

Outro passo foi o trabalho com setores do Estado que não haviam sido infiltrados pelos cartéis, diz o jornalista. Governo e entidades de classe criaram o Comitê de Proteção a Jornalistas.

Mas o principal instrumento de resistência à intimidação dos cartéis, afirma Marquez, foi a própria vocação do jornal. "A imprensa não pode deixar de fazer seu trabalho. Sobretudo, não deve deixar de denunciar os elos entre o Estado e os barões da droga. Só a informação pode rompê-los", recomenda.

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