Na Coreia do Norte, proximidade inédita com Kim

Na Coreia do Norte, proximidade inédita com Kim

Para analistas, imprevisibilidade da diplomacia de Trump na Ásia pode ser particularmente catastrófica para Coreia do Norte

Luiz Raatz, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2019 | 05h00

O presidente americano, Donald Trump, que no começo do mandato chamava Kim Jong-un de “pequeno homem foguete”, passou a tratá-lo por “secretário Kim” em meio a dois encontros pessoais e inúmeras declarações de simpatia. 

Para Bruce Bennet, analista de Defesa do Instituto Rand, que desenvolve pesquisas para o Departamento de Defesa americano, a aproximação entre EUA e Coreia do Norte é inédita e isso levou a discussões inéditas. O problema é que essas discussões não renderam resultados concretos. 

“Os norte-coreanos não entregaram sequer uma ogiva e provavelmente aumentaram seu potencial nuclear em 50%”, diz. Depois de ameaçar Kim e mudar de ideia, trazendo-o à mesa de negociações sem conseguir compromissos significativos, alguns observadores do programa nuclear da Coreia do Norte avaliam que Pyongyang teme menos o poderio americano com Trump. 

Analistas avaliam ainda que a imprevisibilidade da diplomacia de Trump na Ásia pode ser particularmente catastrófica na Coreia do Norte por causa da China. Interessada na desnuclearização da Península Coreana, Pequim vê com desconfiança a guerra comercial de Trump e isso pode dificultar a mediação chinesa com Pyongyang.

“A prioridade da China é a estabilidade das Coreias. A China está ansiosa para resolver essa questão, mas até antes de Trump costumava deixar a pressão a cargo dos EUA”, explica Bennet. Ainda de acordo com Bennet, essa aproximação é uma resposta à guerra comercial imposta pelos EUA no último ano e a decisão americana de montar o sistema antimíssil Thaad na Coreia do Sul.

“A China tornou-se dúbia na questão coreana, porque ao mesmo tempo que teme algum ato impensado de norte-coreanos e americanos, não pode permitir a projeção americana na Península Coreana via Coreia do Sul”, explica. 

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