Gordon Welters/NYT
Gordon Welters/NYT

Na cultura, tragédia que supera a ficção

Concertos voltam na Alemanha, mas cinemas e teatros ainda correm risco ao redor do mundo

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2020 | 06h00

Depois de meses fechado em razão da pandemia, o teatro de Wiesbaden, na Alemanha, voltou a ter um espetáculo na segunda-feira, 18. Mas tudo estava diferente. Três assentos separavam quem estava na plateia. Também era necessário que os espectadores usassem máscaras, embora pudessem removê-las quando estivessem sentados. 

Os ingressos não tinham lugares marcados e só os membros de uma mesma família podiam se sentar juntos. O teatro registrou o nome e o endereço de todos, para que eles pudessem ser contatados mais tarde, caso alguém fosse infectado pela covid-19. Este é o novo normal nos centros culturais que começam lentamente a retomar a rotina. 

Na programação em Wiesbaden, o barítono Günther Groissböck e a pianista Alexandra Golubitskaia apresentaram compisções de Schubert e de Mahler. “No começo, parecia quase um experimento”, disse Günther. “Mas, com o decorrer das músicas, tudo se tornou mais humano.” 

O isolamento cobrou um preço alto da cultura no mundo todo. Na segunda-feira, a Bienal de Veneza anunciou que adiaria duas de suas principais exposições – a Bienal de Arquitetura será aberta apenas em maio de 2021 e a de Arte Contemporânea foi remarcada para abril de 2022. “Espero que a nova data permita que eles recuperem o fôlego e concluam o trabalho com o vigor que merecem”, disse o organizador, o arquiteto libanês Hashim Sarkis.

A Manifesta, exibição de arte de Marselha, e a Bienal de Berlim foram canceladas. As bienais de Lyon e de Gwangju, na Coreia do Sul, a mais importante da Ásia, foram adiadas para 2022. 

As atividades econômicas vêm sendo retomadas gradualmente em muitos países, mas museus, teatros, cinemas e outros centros culturais não ocupam o topo da lista de prioridades. Isso vem colocando muitos locais sob pressão financeira. 

Um dos teatros ameaçados é o Shakespeare’s Globe, de Londres, que abriu as portas em 1997 como uma réplica em grande escala do original, de 1599, onde muitas das peças do dramaturgo foram executadas pela primeira vez. “Apesar de sermos bem administrados, capazes de operar sem subsídio público, não conseguiremos sobreviver a esta crise”, informou nesta semana a direção do teatro a um comitê parlamentar britânico. 

As direções do Old Vic e do Museu Charles Dickens, também em Londres, disseram que o risco de fechar as portas é grande. Peter Keller, diretor do Conselho Internacional de Museus, disse que um em cada dez museus do mundo não sobreviverá à pandemia. 

A crise das instituições culturais chegou também à Austrália. O Carriageworks, um importante espaço artístico de Sydney, informou este mês que está em situação de insolvência e foi forçado a terceirizar sua administração.

Em Cingapura, o Projector, um complexo de lojas, bar e cinema, pediu apoio do governo para não fechar. “Planejar a incerteza é a parte mais desafiadora, já que estamos entrando em um cenário desconhecido”, disse Karen Tan, uma das fundadores do local. / NYT

 

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