Valery Hache/AFP
Valery Hache/AFP

Na ensolarada Saint-Tropez, festas servem champanhe e espalham coronavírus

Prefeitura passou a exigir máscaras no charmoso e famoso destino jet set francês

Dana Thomas / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2020 | 21h35

SAINT-TROPEZ, FRANÇA - A festa estava a toda neste hedonístico playground de verão, mas aí acabou. Na semana passada, dois dos principais resorts da Riviera Francesa – Indie Beach House, na praia de Pampelonne, e Pablo, um bistrô badalado na Place des Lices de Saint-Tropez, ambos da mesma empresa – fecharam as portas quando quatro membros da equipe testaram positivo para o coronavírus. Desde então, as autoridades informaram que 20 dos 30 funcionários do Pablo e um do Indie Beach foram infectados.

Outro restaurante, o Noto, que se descreve como um “restaurante italiano festivo” na Place des Lices, foi fechado por duas semanas depois que seis funcionários deram positivo. E a agência regional de saúde registrou 64 casos na península entre 25 de julho e 1.º de agosto.

Enquanto isso, na quinta-feira, a prefeitura local fechou dois outros clubes agitados da praia de Pampelonne – Moorea e Verde – por não respeitarem as regras de distanciamento social. De fato, na véspera do anúncio do fechamento, a música alta do Verde e os gritos da multidão podiam ser ouvidos a um quilômetro de distância.

Porque “o vírus atinge com particular sensibilidade o município de Saint-Tropez, que tem um fluxo significativo de turistas a cada verão”, e porque “as regras de distanciamento físico não podem ser garantidas dia e noite” nas áreas públicas em razão da “alta concentração de pessoas”, a prefeitura passou a exigir máscaras em toda Saint-Tropez no sábado.

A vice-prefeita, Sylvie Siri, disse ao jornal local, o Var-Matin, que esperava que a medida “servisse como um eletrochoque” para turistas imprudentes e proprietários de estabelecimentos.

“Usar máscaras não é um look sexy, com certeza”, disse Patrice de Colmont, dona do famoso retiro de praia Club 55. E é a antítese de tudo o que Saint-Tropez representa.

O charmoso porto de pesca e as vilas vizinhas são um destino jet set desde os anos 50, quando o diretor francês Roger Vadim filmou o sensual E Deus Criou a Mulher estrelado por sua mulher, a jovem Brigitte Bardot, na vila e nas praias vizinhas.

Suas enseadas isoladas por muito tempo foram o local favorito de nudistas; na década de 70, tomar sol de topless virou moda nos 5 quilômetros de extensão da praia de Pampelonne. E, nos últimos anos, o paraíso das férias atraiu as estrelas como Ivana Trump, Naomi Campbell e Johnny Depp. Na semana passada, Piers Morgan e Joan Collins foram vistos aqui.

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Mas, neste verão, com a União Europeia proibindo visitantes dos EUA e da Rússia – dois dos principais países de origem dos turistas de Saint-Tropez – as multidões são formadas por franceses de classe média, que abandonaram suas férias tradicionais em lugares menos caros, como Espanha ou Grécia, e optaram por uma viagem de verão para a costa sul da França.

Quando as fronteiras da União Europeia se reabriram em meados de junho, dinamarqueses, alemães e holandeses se juntaram à caravana. Quando os bares e restaurantes de praia reabriram no início de junho, reduziram as mesas e exigiram que os funcionários usassem máscaras.

À medida que o verão avançava, alguns restaurantes e clubes de praia abriram mão das regras. A música ao vivo durante o serviço de jantar gerou dança sem máscara, e a gerência deu de ombros. 

Aí veio o surto, os fechamentos de bares e restaurantes e os novos regulamentos para o uso das máscaras. / W.POST, TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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