Na Espanha, manifestantes fazem ato de apoio a Garzón

Centenas de pessoas se reuniram hoje na Universidade Complutense de Madri em um ato em defesa do juiz Baltasar Garzón, pedindo o fim da "perseguição" ao magistrado. Garzón pode ser suspenso de suas funções como juiz da Audiência Nacional nos próximos dias.

AE-AP, Agência Estado

13 de abril de 2010 | 12h29

O Supremo Tribunal espanhol considerou procedente um pedido para que o juiz seja julgado por fazer uma investigação sobre a Guerra Civil Espanhola e os crimes do franquismo. Ele é acusado de prevaricação, delito segundo o qual um funcionário público conscientemente toma uma decisão ilegal. Caso condenado, pode pegar entre 10 e 20 anos de suspensão de suas funções, o que colocaria um ponto final em sua carreira no Judiciário.

O ato foi convocado pelos sindicatos de esquerda UGT e CCOO. Os líderes sindicais qualificaram como "vergonha histórica" o julgamento contra o magistrado. Um texto dos manifestantes denunciava que havia a intenção de deixar impunes os crimes da ditadura de Francisco Franco (1939-1975), que Garzón tentou investigar ao considerá-los de lesa-humanidade.

Na opinião dos críticos de Garzón, ele sabia que esses crimes estavam anistiados no país, portanto não poderia julgá-los. O comunicado afirma que os impedimentos jurídicos citados para enterrar o processo de Garzón impediriam, por exemplo, o processo de Nuremberg contra os criminosos nazistas. O protesto na universidade teve apoio de numerosos grupos e personalidades da esquerda política nacional, incluindo membros do governista Partido Socialista Obrero Español.

Setores conservadores denunciaram a passeata como um ataque à independência judicial. A secretária-geral do oposicionista Partido Popular, María Dolores de Cospedal, qualificou como "disparate" a iniciativa dos sindicatos.

Garzón ganhou fama internacional ao abrir um processo contra o ex-ditador chileno Augusto Pinochet. Ele também foi responsável por um processo contra o líder terrorista Osama bin Laden.

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