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Enrique Calvo/Reuters
Enrique Calvo/Reuters

Na Espanha, regras conta a covid-19 são mais permissivas para quem é estrangeiro e causa revolta

As idas e vindas sobre as regras refletem os atos de difícil equilíbrio dos governos europeus que tentam combater a pandemia e, ao mesmo tempo, manter suas economias à tona

Raphael Minder, The New York Times

01 de abril de 2021 | 10h28

  

MADRI - Com a proximidade da Páscoa, alguns espanhóis lamentam o que consideram um padrão duplo nas restrições para conter a covid-19. A polêmica ecoa em outros países europeus, onde as autoridades também restringiram fortemente as viagens domésticas, ao mesmo tempo em que permitem que seus cidadãos viajem para o exterior e que turistas estrangeiros entrem e se movam com mais liberdade. 

As idas e vindas sobre as regras refletem os atos de difícil equilíbrio dos governos europeus que tentam combater a pandemia e, ao mesmo tempo, manter suas economias à tona, especialmente no que diz respeito às receitas do turismo, tão críticas para países como Itália e Espanha.

Após sete anos de crescimento consecutivo nas chegadas de turismo, a Espanha acolheu 19 milhões de pessoas no ano passado, ante quase 84 milhões em 2019.

O governo espanhol defendeu sua abordagem, enfatizando que os visitantes da maioria dos outros países não apresentam os mesmos riscos para a saúde que os residentes em trânsito, porque devem ter um teste negativo para a covid-19 antes de viajar. Mas os moradores locais não têm a opção de se locomover pelo país, mesmo com teste negativo, para lazer.

A Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, apresentou planos recentemente para criar um certificado digital que possa facilitar o turismo neste verão, incluindo viagens internas dentro dos estados membros.

“Dado que a transmissão e o risco são semelhantes para viagens nacionais e transfronteiriças, os Estados membros devem garantir que haja coerência entre as medidas aplicadas aos dois tipos de viagem”, disse Christian Wigand, porta-voz da comissão.

Os políticos da oposição na Espanha aproveitaram esses comentários. Alguns já acusavam as autoridades de favorecer os turistas em vez dos residentes que buscam uma escapadela de Páscoa.

María Jesús Montero, ministra e porta-voz do governo espanhol, disse na semana passada que o país está fazendo exatamente o mesmo que os outros ao permitir viagens ao exterior, mas limitando os movimentos domésticos.

A Itália também tem regras rígidas que restringem o movimento em todo o país. Os residentes estão autorizados a deixar a sua cidade - ou a sua casa nas regiões mais afetadas - apenas por motivos de trabalho, saúde ou outros motivos considerados necessários.

Mas o governo permitiu que os italianos viajassem a turismo para a maioria dos países europeus, incluindo França, Alemanha e Espanha, apenas pedindo que fizessem um teste negativo 48 horas antes de seu retorno.

Um porta-voz do ministro da Saúde da Itália disse que o risco de contágio de viagens internacionais com restrições é menor do que permitir a livre circulação entre regiões domésticas. Uma razão para isso, disse ele, é o volume - é mais fácil e barato para um grande número de pessoas viajarem internamente - acrescentando que também seria virtualmente impossível impor quarentenas em viagens entre regiões.

A associação italiana de hotéis Federalberghi estava entre as que acusavam o governo de dois pesos e duas medidas.

“Os hotéis e todo o sistema de hospitalidade italiano estão paralisados há meses por causa da proibição de se mudar de uma região para outra”, disse Bernabò Bocca, presidente da entidade, no último domingo, 28. “Não entendemos como é possível autorizar viagens através da fronteira e proibi-las dentro da Itália”, acrescentou Bocca.

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