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Kevin Lamarque/Reuters
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Na Flórida, Biden consola famílias e diz que governo federal arcará com gastos da tragédia 

As obras na montanha de escombros tiveram de ser interrompidas pela primeira vez pois a parte do edifício que ainda se encontra de pé começou a se deslocar, o que representa um risco significativo para os socorristas

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2021 | 16h48

SURFSIDE, EUA - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, confirmou nesta quinta-feira, 1º, que o governo federal assumirá 100% dos gastos que o Estado da Flórida e o Condado de Miami-Dade tiverem devido ao desabamento parcial de um edifício residencial em Surfside.

Biden e a primeira-dama, Jill Biden, chegaram nesta quinta-feira a Miami para também se encontrarem com sobreviventes e famílias das vítimas. Até o momento, 145 pessoas estão desaparecidas e 18 já foram confirmadas como mortas desde o desabamento. Parte do edifício Champlain Towers South, de 40 anos e 136 apartamentos, desmoronou na madrugada de 24 de junho por causas ainda indeterminadas.

"Quero assumir 100% dos custos nos primeiros 30 dias", disse o presidente em reunião com autoridades e chefes das operações de busca e resgate. O encontro foi realizado em um hotel em Bal Harbour, perto de Surfside, no sudeste do Estado. "O que estão fazendo agora é muito difícil", disse Biden ao cumprimentar os socorristas. "Só quero agradecer a vocês. Obrigado, obrigado, obrigado."

Biden, que na sexta-feira passada declarou estado de emergência para habilitar a ajuda federal para as tarefas de resgate e o auxílio aos sobreviventes, passou cerca de três horas com as famílias afetadas. Durante entrevista coletiva após esse encontro, Biden lamentou o caso e disse que as autoridades ainda não têm uma resposta cabal sobre o que pode ter ocorrido.

Entre os mortos estão duas crianças, de 4 e 10 anos, após o desabamento de 55 apartamentos. Pelo menos 29 latino-americanos, da Argentina, Colômbia, Paraguai, Venezuela, Uruguai e Chile, estão entre os desaparecidos. Na lista de mortos estão um venezuelano e uma uruguaia-venezuelana.

O chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez, disse no Twitter que aguarda a resposta do pedido oficial de informação às autoridades americanas, mas fontes públicas adiantaram dados lamentáveis sobre cubanos mortos ou desaparecidos.

As obras na montanha de escombros tiveram de ser interrompidas pela primeira vez nesta quinta-feira, pois a parte do edifício que ainda se encontra de pé começou a se deslocar, o que representa um risco significativo para os socorristas.

"O único motivo desta pausa são as preocupações sobre a estrutura que continua de pé", disse a prefeita do Condado de Miami-Dade, Daniella Levine Cava em entrevista coletiva.

O chefe dos bombeiros de Miami-Dade, Alan Cominsky, alertou que havia uma grande coluna que poderia cair e que os movimentos dos escombros poderiam causar uma falha adicional do edifício.

Guinada política 

A Flórida é um Estado fundamental no mapa eleitoral dos Estados Unidos, e por isso os olhares também estiveram voltados para o encontro entre Biden e o governador do Estado, Ron DeSantis, uma estrela republicana em ascensão, que foi promovido como um possível candidato presidencial em 2024.

"Você reconheceu a gravidade dessa tragédia desde o primeiro dia e me apoiou muito", disse DeSantis a Biden durante um encontro com Levine Cava e outras autoridades locais.

Biden, defensor da unidade bipartidária, não perdeu a oportunidade de enfatizá-la. "Estamos deixando a nação saber que podemos cooperar quando é realmente importante", disse o presidente democrata.

Em outra guinada política após a catástrofe, o ex-presidente Donald Trump estava planejando um comício em Sarasota, Flórida, no sábado. DeSantis se juntou aos apelos para adiar o evento, que faz parte da tentativa de Trump de continuar sendo a força dominante na política republicana.

Milagre improvável  

Apenas um adolescente foi retirado vivo dos escombros nas primeiras horas das operações de resgate. Desde então, a chance de um milagre se esvai a cada hora que passa.

"Não se pode negar a situação atual: mais de seis dias se passaram desde o desabamento e as possibilidades de encontrar pessoas com vida são escassas", disse na quarta-feira Elad Edri, subcomandante de uma equipe de busca e resgate israelense que colabora com os socorristas americanos, assim como especialistas procedentes do México.

Mais de 1.400 toneladas de concreto já foram escavadas, disse DeSantis nesta quinta-feira. 

Um relatório sobre o Estado do complexo Champlain Towers South indicava já em 2018 danos estruturais significativos, bem como fissuras no estacionamento do edifício.

Enquanto as perguntas se acumulam sobre os motivos do desastre, padres e psicólogos tentam acalmar os parentes angustiados e amigos das vítimas. "Estão no limbo, e este é um dos momentos psicologicamente mais perigosos que uma pessoa pode passar", disse o terapeuta Raphael Poch, que chegou de Israel com uma equipe de socorristas.

Outras nuvens também surgem no horizonte. Uma tempestade tropical em formação no Atlântico poderia ganhar força e atingir a costa sul da Flórida na próxima semana, embora o Centro Nacional de Furacões tenha afirmado que é muito cedo para determinar o impacto./AFP e EFE 

 

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