Samuel Corum/The New York Times
Samuel Corum/The New York Times

Na Flórida, Trump promete 'lutar' pela Venezuela e por Cuba

Desde que assumiu o cargo em 2017, Trump reverteu a aproximação entre Washington e Havana de seu antecessor democrata Barack Obama

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2020 | 22h27

MIAMI - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu nesta sexta-feira, 10, "lutar" pela Venezuela e por Cuba durante uma visita à Flórida, um Estado muito afetado pela pandemia do coronavírus, uma "praga" pela qual o presidente republicano novamente culpou a China.

"Vamos lutar pela Venezuela. Vamos lutar pelos nossos amigos em Cuba", declarou Trump na sede do Comando Sul, responsável pelas operações militares dos Estados Unidos no Caribe, América Central e do Sul. "Mantemos Cuba e Venezuela sob estrito controle", garantiu. 

Desde que assumiu o cargo em 2017, Trump reverteu a aproximação entre Washington e Havana de seu antecessor democrata Barack Obama, reforçando o bloqueio em vigor desde 1962 contra o governo comunista da ilha, argumentando violações de direitos humanos e apoio ao governo de Nicolás Maduro na Venezuela, a quem ele considera um "ditador". 

Mas, apesar de muitas sanções econômicas contra Caracas e de uma proposta diplomática de retirá-las gradualmente em uma transição para "eleições livres", Maduro permanece no poder com o apoio de Cuba, China e Rússia, seus principais credores e ultimamente do Irã. 

Trump comemorou o "incrível sucesso" da vasta operação antidrogas lançada há três meses no Caribe, de olho na Venezuela, após a Justiça americana acusar Maduro de "narcoterrorismo" e oferecer  uma recompensa de US$ 15 milhões por sua captura. 

"Os Estados Unidos continuarão sua campanha de pressão máxima sobre o regime Maduro", afirmou o conselheiro de segurança nacional de Trump, Robert O'Brien. O'Brien disse que Trump pergunta "quase todos os dias" o que pode ser feito para ajudar o povo venezuelano. "Esta operação faz parte desse esforço", acrescentou. 

Quando exilados cubanos e venezuelanos se reuniram em Doral, Trump destacou as "sanções históricas" contra Caracas e se gabou de ter "encerrado" a "traição" de Obama e seu vice-presidente Joe Biden ", com o regime de Castro." 

"O que eles fizeram por Cuba é ridículo", disse Rosa María Payá, filha do falecido ativista de direitos humanos Oswaldo Payá, e Orlando Gutiérrez, um membro proeminente do exílio cubano na Flórida. 

Também  estavam presentes os venezuelanos Ernesto Ackerman, que pediu a Trump para "eliminar o socialismo em toda a América Latina", e Lorenzo Di Stefano, que instou o presidente a "continuar a aplicar mais pressão econômica" contra Caracas. 

O cubano Mario Bramnick, um cristão evangélico que considera Trump um escolhido por Deus, pediu ao chefe de Estado americano que impeça o avanço do "novo socialismo" que, segundo ele, é representado por Biden, adversário do dirigente republicano nas eleições presidenciais de novembro. 

"Você é o melhor presidente para nossa comunidade", disse para Trump, acrescentando em seguida em espanhol: "Te amamos mucho" ("Te amamos muito").

Sorrindo, Trump destacou como está indo "muito bem" nas pesquisas na Flórida, um Estado crucial na corrida pela reeleição.

Oportunismo eleitoral

De Havana, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, criticou as "afirmações mentirosas" de Trump, descritas pelo chanceler como "mal aconselhadas e apegadas a uma retórica fracassada". 

"Em seu oportunismo eleitoral, ele não explica como a eliminação de viagens e intercâmbios, o ataque às famílias cubanas e o endurecimento brutal do bloqueio ajudam o povo cubano", escreveu no Twitter.


Trump viajou para impulsionar sua campanha na Flórida, onde a covid-19 já matou mais de 4 mil pessoas e registra uma avalanche de novos casos nos últimos dias, ignorando os riscos de contágio

Biden, que lidera as pesquisas de intenção de voto na Flórida com 5 pontos porcentuais de vantagem sobre o republicano e 8,8 em nível nacional, segundo o site que faz uma média das pesquisas RealClearPolitics, criticou a viagem do presidente.

"Assim como sua resposta a esta pandemia, o presidente tem sido pouco confiável e egocêntrico em sua abordagem aos assuntos mais próximos do povo venezuelano ", acrescentou. 

Biden também lembrou as declarações feitas por Trump há três semanas sobre o interesse em se encontrar com Maduro, a quem ele chama de "ditador". Como o democrata previu, o tópico, que agitou as águas da Flórida, não apareceu na mesa redonda de Doral.

O presidente do grupo Venezuelanos Perseguidos Políticos  no Exílio, José Antonio Colina, que nesta sexta enviou uma carta a Trump pedindo que ele "usasse a ação da força" para capturar as autoridades venezuelanas procuradas pela Justiça americana, não compareceu ao encontro. 

Novos ataques à China

Trump, que também está participando de um evento de captação de recursos, atacou novamente a China, onde o novo coronavírus surgiu no fim do ano passado.  "As relações com a China foram seriamente prejudicadas", disse ele à imprensa. 

"Eles poderiam ter parado a praga e não fizeram isso", acrescentou. 

Os EUA são o país mais afetado pela covid-19, com mais de 3,1 milhões de infectados e 133 mil mortes. Pelo menos 67% dos americanos desaprovam a maneira como Trump lidou no combate ao coronavírus, de acordo com uma pesquisa da ABC News e da Ipsos./AFP 

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