Na França, crise derruba o 12º governo europeu

Cenário: Agência EFE

O Estado de S.Paulo

07 Maio 2012 | 03h03

A crise econômica engoliu ontem outro governante europeu: Nicolas Sarkozy. Com a vitória de François Hollande, a mudança política na França supõe um salto qualitativo pelo peso que o país tem na configuração das políticas da UE, por meio do chamado eixo franco-alemão.

Com esta, já são 12 as mudanças produzidas em governos europeus desde 2010, data em que a crise econômica e financeira começou a afetar a zona do euro e o restante dos países da União Europeia.

Em dois anos, os eleitores castigaram os governantes, independentemente de sua ideologia, mas, em alguns países, verificou-se uma ascensão da extrema direita, com plataformas nacionalistas, antieuropeias, protecionistas e xenófobas (Bélgica, Holanda e Finlândia).

Na França, a ascensão da extrema direita ficou evidente no primeiro turno das eleições presidenciais, quando a candidatura de Marine Le Pen obteve 17,9% dos votos.

As mudanças políticas na Europa em decorrência da crise tiveram início em maio de 2010, com as eleições britânicas, nas quais gerais os trabalhistas sofreram a maior derrota de sua história e os conservadores tiveram de formar um governo de coalizão com os liberais, o primeiro em 70 anos.

Seguiram-se campanhas na Bélgica e na Holanda, nas quais os eleitores belgas castigaram a governante democracia cristã e converteram o N-VA, dos separatistas flamencos, na principal força do Parlamento e, na Holanda, a democracia-cristã foi destronada, com o grande avanço da extrema direita, cuja recusa em aceitar cortes de gastos para reduzir o déficit holandês provocou a dissolução do governo em 23 de abril.

Em 2011, novos abalos foram sentidos pelos governantes. Em fevereiro, a Irlanda, sob intervenção desde dezembro de 2010, realizou eleições gerais antecipadas nas quais o Fianna Fail (Partido Republicano), no poder desde 1997, sofreu uma importante derrota para o conservador Fine Gael, que obteve 76 das 166 cadeiras.

Em junho, em Portugal, os socialistas perderam o governo para os conservadores. Em setembro, os dinamarqueses deram a vitória ao bloco de centro-esquerda, derrotando a centro-direita que estava no poder desde 2000.

Na Espanha, as eleições de novembro deram a maioria absoluta ao conservador Partido Popular, que derrotou os socialistas.

O ano terminou com eleições antecipadas na Eslovênia, vencidas pela entãso oposição de esquerda.

Grécia - que também foi às urnas ontem (mais informações na página A14) - e a Itália foram dois casos especiais, já que seus governantes foram substituídos por "governos tecnocratas" liderados por figuras próximas da UE.

A Finlândia mantém um governo conservador desde as eleições gerais de abril de 2011, vencidas por uma diferença pequena. Mas o mais importante foi a ascensão do partido de ultra direita Verdadeiros Finlandeses. Este obteve 39 cadeiras, 8 vezes mais do que em 2007.

O triunfo da direita se confirmou nas eleições presidenciais de fevereiro de 2012, com a vitória de Sauli Niinistö, primeiro presidente conservador desde 1956.

Na Eslováquia, depois das eleições gerais de 10 de março, os social-democratas impuseram uma derrota ao bloco conservador, que governava desde 2010.

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