Na guerra contra a criminalidade, ciganos são alvo

Num subúrbio de Paris, a porta de um prédio antigo separa primeiro e terceiro mundo: entre 20 e 40 ciganos dividem o pequeno espaço sem água e luz. Os vizinhos permitem que o grupo encha algumas garrafas de água de vez em quando.

Cenário: Ullrich Fichter, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2010 | 00h00

A maioria das famílias do grupo sobrevive colhendo metais e lixo reciclável nas ruas da cidade. Um quilo de ferro rende entre 0,20 e 0,30; um quilo de cobre é vendido por 5. A dificuldade é encontrar alguém que compre o material de um cigano - a maior parte dos lugares exige identidade francesa. E os ciganos não são o tipo de pessoa com quem os franceses querem fazer negócio nos últimos tempos.

Teoricamente, romenos e búlgaros - a maior parte da população cigana na França - são cidadãos da União Europeia (UE) desde 2007 e podem transitar livremente pelos países do bloco. Na França, esse direito é irrelevante. Eles poderiam permanecer no país por três meses sem qualquer problema.

O presidente Nicolas Sarkozy relacionou os ciganos com a segurança, seu assunto favorito, e acirrou o discurso contra o grupo, praticamente lançando sua candidatura para 2012. O líder francês declarou uma "guerra nacional" contra a criminalidade e citou como exemplo um incidente envolvendo ciganos que teriam atacado uma delegacia. Como presidente, disse que não poderia permitir a existência de 539 acampamentos ilegais em território francês. As consequências do discurso de Sarkozy são vistas diariamente nas ruas. Até o fim de agosto, 88 campos foram desmantelados.

Sarkozy diz que existem 60 mil locais regularizados para acampamentos no país. Representantes ciganos dizem que são 6 mil, e apenas metade deles cumpre exigências legais. Segundo a legislação francesa, qualquer comunidade com mais de 5 mil habitantes deve fornecer água corrente, eletricidade e estacionamento para viajantes, o que normalmente não ocorre na maioria das cidades do país.

ESCREVEU PARA A "DER SPIEGEL"

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