Na Holanda, mulher confessa assassinato após 65 anos

Holandesa, agora com 96 anos, matou homem por acreditar que ele colaborava com os nazistas

Agência Estado

08 de junho de 2011 | 17h54

AMSTERDÃ - Um misterioso assassinato foi solucionado 65 anos depois na Holanda, com a confissão de uma mulher de 96 anos. A morte de Felix Gulje, presidente de uma empresa de construção, que em 1946 era considerado para ocupar um alto cargo político, perturbou o país e o fracasso em encontrar o assassino se tornou uma questão de discórdia entre partidos políticos.

 

Nesta quarta, 8, o prefeito de Leiden, Henri Lenferink, disse que uma mulher confessou o assassinato, afirmando que ele aconteceu por causa da crença equivocada de que Gulje tinha colaborado com os nazistas. Lenferink disse que recebeu a carta da mulher, identificada como Atie Ridder-Visser, em 1º de janeiro. Duas entrevistas posteriores com ela e uma revisão dos arquivos históricos o fizeram crer que a história é verdadeira.

 

Na fria noite de 1º de março de 1946, Atie Visser tocou a campainha da casa de Gulje em Leiden e disse à mulher dele que tinha uma carta para entregar ao seu marido. Quando ele chegou à porta, Atie Visser atirou contra seu peito. Ele morreu na ambulância, afirmou o prefeito, lendo um longo comunicado durante uma coletiva de imprensa.

 

Visser fazia parte da resistência durante a ocupação nazista entre 1940 e 1945. Havia rumores de que Gulje trabalhava com as autoridades de ocupação. Sua empresa fez trabalhos regulares com os alemães e vários de seus funcionários pertenciam a uma organização pró-nazista. Após sua morte, porém, foi provado que Gulje havia abrigado alguns judeus e ajudado financeiramente outras famílias a fazer a mesma coisa. Uma associação católica também realizou reuniões secretas em sua casa, informou Lenferink.

 

Visser se mudou para a Indonésia depois da guerra, onde conheceu e se casou com Herman Ridder. O casal não teve filhos e voltou para a Holanda anos mais tarde, além de terem passado alguns anos na Espanha.

 

Lenferink disse que a polícia nunca suspeitou que a mulher fosse a assassina. Após a confissão, Visser se encontrou com dois netos de sua vítima no mês passado para explicar o que aconteceu e a razão pela qual ela fez o que fez, disse o prefeito. Ele não divulgou detalhes da conversa.

 

Visser não será processada. Em 2006, uma lei acabou com o limite de prescrição de 18 anos para crimes graves, mas os promotores consideraram que a mudança da lei não se aplica neste caso. "Mesmo agora, após 65 anos, o assassinato deve ser fortemente condenado", disse Lenferink. "Foi um caso de vigilantismo e é inaceitável". Apesar disso, ele pediu aos jornalistas que não importunem a mulher. "A senhora Visser é uma mulher muito velha, muito frágil, que tem problemas de audição e precisa de ajuda". As informações são da Associated Press.

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