Na hora do voto, brasileiros nos EUA preferem Obama

.Imigrantes do Brasil no território americano seguem tendência de outras minorias e votam em democratas

Gustavo Chacra / CORRESPONDENTE / NOVA YORK,

03 de novembro de 2012 | 22h19

NOVA YORK - Brasileiros com cidadania americana - e vice-versa - seguem a tendência de outras minorias, como negros e hispânicos, e votam majoritariamente em Barack Obama. De 30 entrevistados pelo Estado, apenas dois indicaram que optariam por Mitt Romney, embora outras pessoas do Brasil residentes nos EUA e sem direito a voto também tenham declarado apoio ao republicano.

A maior parte dos entrevistados leva em consideração a questão da imigração. Embora haja decepção com a deportação de mais de 1 milhão de imigrantes sem documentos, os brasileiros avaliam que Obama avançou em alguns pontos, especialmente para os jovens estrangeiros, e as conquistas poderiam ser revogadas em um governo de Romney.

As relações EUA-Brasil importam, mas não pesam tanto na hora de escolher um candidato. Alguns se dizem hispânicos. Outros, não. "Romney seria uma repetição de Bush", disse a produtora Paula Buarque, se referindo ao ex-presidente George W. Bush. O designer Danilo Matz concorda. Segundo ele, seu voto vai para Obama "porque o presidente ainda não teve tempo de arrumar a bagunça deixada pelo antecessor".

Segundo o professor de engenharia Felipe Pait, "em política externa, o governo Obama tem mostrado avanços razoáveis em situação difícil, tendo assumido após uma presidência que conduziu duas guerras de maneira incompetente e perdeu aliados no mundo". "Romney, em comparação, não mostrou interesse, conhecimento ou aptidão por temas internacionais", disse.

O ex-presidente também incentivou muitos moradores de Mount Vernon, pequena cidade no subúrbio de Nova York, com 8 mil brasileiros, a optarem por Obama. "Eles morrem de medo de Romney ser um novo Bush", disse Claudineia Cardinali, que atua no Centro Cívico do Brasil e está em processo de regularização de situação nos EUA.

O engenheiro Fabio Andrade, de Boston, diz que o fato de ser "latino" foi fundamental na sua decisão de votar em Obama. "Minha desconfiança e antipatia pelo Partido Republicano é tamanha, especialmente pela ala mais conservadora, sabidamente anti-imigrantes, que me registrei como democrata", afirmou.

Juliana da Silva, estudante de psicologia de Harvard, diz não ser a favor de algumas políticas de Obama, como "uso de drones" (aviões não tripulados) "ou a deportação de imigrantes". Ainda assim, o considera "uma melhor opção do que Romney.

Republicano. Um dos poucos brasileiros que votará no republicano é Robson Paixão, que atua na área de marketing em Boston. "A economia é um grande fator na minha escolha, pois ele prega mais controle de gastos", disse. "Também acho a reforma do sistema de saúde em Massachusetts muito boa e beneficiou muita gente. Sei que ele se opõe ao Obamacare (reforma do sistema de saúde do presidente), mas espero que ele não a revogue e trabalhe com os democratas", disse.

 

 

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