EFE/EPA/DIVYAKANT SOLANKI
EFE/EPA/DIVYAKANT SOLANKI

Recebido por multidão, Trump fecha na Índia venda de US$ 3 bi em armas

Presidente americano anuncia no oeste do país acordo para comercialização de helicópteros e sistema de defesa antiaéreo a aliado asiático, com quem mantém diferenças comerciais

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2020 | 14h18
Atualizado 24 de fevereiro de 2020 | 21h34

AHMEDABAD, ÍNDIA - Acostumado a enfrentar protestos por onde passa, o presidente dos EUA, Donald Trump, mostrou-se envaidecido nesta segunda-feira, 24, com a recepção que o colega indiano Narendra Modi preparou para a visita de 36 horas do americano ao aliado asiático. Trump fez seu maior comício no exterior na inauguração de um estádio de críquete para 110 mil espectadores, atraídos também por músicos locais. Nesta terça-feira, 25, selará um acordo para a venda de mais de US$ 3 bilhões em armas à Índia.

“Nós fabricamos as melhores armas de todos os tempos. Aviões. Mísseis. Foguetes. Navios. Nós fazemos as melhores e estamos negociando com a Índia agora. Isso inclui sistemas avançados de defesa aérea e veículos aéreos armados e desarmados”, disse Trump num discurso de 27 minutos, ao lado de Modi, primeiro-ministro da Índia. 

Na semana passada, a Índia fez um pedido de U$ 2,6 bilhões para a Lockheed Martin Corp., encomenda que incluía 24 helicópteros marítimos multifuncionais MH-60R Seahawk. O Departamento de Estado aprovou ainda uma venda para a Índia de mais de U$ 1 bilhão em armas, incluindo radares e mísseis de defesa aérea, rifles e outros equipamentos. 

A recepção de ontem, batizada de “Namastê Trump”, foi a retribuição de Modi a um evento similar, organizado em setembro em Houston, chamado de “Como vai, Modi?”. Em seu discurso, Trump reiterou promessa de que os EUA fariam um acordo comercial significativo com a Índia, mas não deu detalhes. 

Autoridades dos dois países tentam estabelecer pelo menos um pacto modesto, abrindo a Índia a produtos agrícolas e equipamentos médicos americanos, em troca da restauração do status preferencial de exportação, que Trump retirou do país em 2019. O regime garantia aos indianos uma série de isenções. Os EUA estão descontentes com o tradicional protecionismo indiano e consideram que as empresas americanas não têm acesso suficiente ao mercado indiano.

“Houve comparativamente menos atividade (entre os dois países) durante o primeiro mandato do presidente Trump. Então, obter uma vitória na venda de armas é importante para os dois lados, particularmente agora que o acordo que esteve em negociação por mais de um ano parece fora de questão”, disse o pesquisador Jeff Smith, do Centro de Estudos Asiáticos da Heritage Foundation, em Washington.

As arquibancadas do estádio Sardar Patel, em Ahmadabad, oeste do país, estavam cheias quando os dois líderes chegaram, precedidos pela canção “Macho Man”, do grupo americano Village People. Castigado pelo calor, metade do público deixou o estádio antes do fim da fala de Trump, que exaltou Modi por ter levado eletricidade a todo o país e saneamento básico a 6 milhões de pessoas – ambas informações são imprecisas. 

A multidão aplaudiu quando Trump fez uma referência desabonadora ao Paquistão, vizinho e principal rival indiano. O americano disse que seu país trabalhava próximo dos paquistaneses para conter organizações terroristas e militantes que operam na fronteira. Trump não visitará o Paquistão, quebrando tradição entre os mais graduados membros da administração americana de tentar não mostrar predileção por um dos países. 

Conflito

Em Nova Délhi, houve protestos contra a visita de Trump e a mudança na lei de cidadania, considerada prejudicial a muçulmanos. O confronto entre manifestantes e forças de segurança deixou pelo menos dois mortos, entre eles um policial. A mudança na lei concede nacionalidade indiana a minorias religiosas – como cristãos, budistas, hindus, parsis, sikhs e jains –, que por perseguição tenham fugido dos vizinhos Paquistão, Bangladesh e Afeganistão – de maioria islâmica – e estejam em solo indiano há mais de cinco anos. Muçulmanos perseguidos em Mianmar ficaram de fora da medida. Os indianos protestam contra essa alteração desde dezembro, quando foi aprovada. / COM INFORMAÇÕES DA REUTERS E EFE

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