Dibyangshu Sarkar/AFP
Dibyangshu Sarkar/AFP

Na Índia confinada, os animais invadem as ruas

Exército de vacas, cães e gatos que vaga nas cidades indianas descobre uma liberdade de movimento há muito não vista em grandes metrópoles

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2020 | 06h00

NOVA DÉLHI - A pandemia do novo coronavírus confinou 1,3 bilhão de indianos em suas casas, fazendo com que os animais invadissem as ruas vazias. Na capital, Nova Délhi, grupos de macacos passaram despercebidos pela vigilância dos guardas militares e vagam pelo bairro do palácio presidencial, onde estão localizados os ministérios.

"Eles roubam muito, mas ainda não ameaçam os seres humanos", explica um guarda na entrada do palácio. 

Os macacos rhesus são um problema endêmico na capital indiana, pois normalmente privam as pessoas de alimentos.

Além disso, com o confinamento, alguns primatas estão invadindo prédios abandonados, segundo a imprensa local.

Em Bombaim (no oeste), o centro econômico do país, podem-se ver pavões reais em cima dos carros estacionados, exibindo sua magnífica plumagem.

No entanto, os animais comuns das cidades indianas não são os únicos que se beneficiam do confinamento de seres humanos, que só podem sair para fazer compras essenciais.

No pequeno estado montanhoso de Sikkim (no nordeste), um urso preto do Himalaia se aventurou na semana passada em um escritório de telecomunicações e feriu um engenheiro, informou a imprensa indiana.

Nas redes sociais, as autoridades florestais também postaram vídeos de elefantes passeando pelas ruas desertas com lojas fechadas. 

Mas o confinamento também pode ser um cenário terrível para os animais. Quatro cavalos, normalmente usados para transportar turistas de carro perto do Memorial de Victoria, em Calcutá, (no leste), morreram de fome nos últimos dias, anunciaram os defensores dos animais.

Cerca de 115 desses cavalos foram deixados à própria sorte desde que o governo indiano decretou o confinamento de três semanas. "Eles estão ficando doentes. Temos medo de que muitos deles morram nos próximos dias se não receberem comida", disse à AFP Sushmita Roy, porta-voz da ONG Love and Care for Animals.

Com o fim das suas atividades, os proprietários desses animais afirmam que não têm mais dinheiro para mantê-los.

"Temos dificuldades em alimentar nossa família. Como poderemos alimentar os nossos cavalos?", explicou um deles, Sunny.

O exército de vacas, cães e gatos que vagam nas cidades indianas descobre uma liberdade de movimento há muito não vista em grandes metrópoles, que geralmente são muito movimentadas. 

No entanto, com o fechamento de restaurantes e lojas, não há mais restos de comida no lixo para sobreviver.

A organização de defesa dos animais Posh Foundation, sediada em Délhi, está recebendo constantemente ligações alertando para animais abandonados ou famintos.

"Dia após dia, é cada vez mais difícil" alimentá-los, diz Aditi Badam, um de seus membros. /AFP

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