Bay Ismoyo/AFP
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Na Indonésia, Obama retoma esforço de reaproximação com mundo islâmico

Viagem nostálgica. Líder americano chega ao país onde passou parte da infância e aproveita visita como estratégia para tentar reduzir a influência da China na região; presidente vai a mesquita próxima da casa onde viveu com a família em Jacarta

Denise Chrispim Marin CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2010 | 00h00

Na segunda etapa de sua jornada pela Ásia, o presidente dos EUA, Barack Obama, concentrou-se na parceria com a Indonésia para o combate ao terrorismo islâmico e nas negociações sobre mudança climática. A Casa Branca habilmente aproveitou o fato de a Indonésia ser o maior país muçulmano do mundo para retomar mensagem de Obama de aproximação entre os EUA e as nações islâmicas, emitida no Cairo em 2009.

Desta vez, tentou imprimir a versão de que seu foco estará menos na questão da segurança e mais na cooperação nas áreas de ciências e educação. "Civis inocentes nos EUA, Indonésia e mundo afora ainda são alvo de extremistas violentos. Eu deixei claro que os EUA não estão e nunca estarão em guerra contra o Islã. Ao contrário, todos nós temos de derrotar a Al-Qaeda e seus aliados, que não têm argumentos para liderar nenhuma religião e, certamente, não uma religião grande e mundial como o Islã", afirmou Obama, em discurso em Jacarta. "Isso não é uma tarefa para os EUA cumprirem sozinhos. Aqui na Indonésia, realmente houve progresso na erradicação de terroristas e no combate à violência extremista."

Obama desembarcou em uma Jacarta coberta pela fumaça do Vulcão Merapi para dar continuidade a seu plano de fortalecer a presença dos EUA na Ásia e, consequentemente, conter o peso geopolítico da China na região. Nos planos da Casa Branca, a Indonésia tem algo peculiar a oferecer na área de contraterrorismo. Bali foi alvo da Al-Qaeda em 2002, um ano depois dos ataques do 11 de Setembro.

Segundo Ben Rhodes, conselheiro adjunto de Segurança Nacional da Casa Branca, a Indonésia teve capacidade, por seus próprios meios, de combater um dos mais perigosos grupos filiados à Al-Qaeda, o Jemaah Ismamiyah. No ano passado, as forças de segurança locais executaram o líder desse grupo.

Obama explorou suas ligações pessoais com a Indonésia e com o mundo muçulmano nessa visita. Fez questão de mencionar passagens do período de quatro anos em que viveu no país, quando sua mãe era casada com o indonésio Lolo Soetoro, muçulmano. Ontem, visitou a mesquita de Istiglal que, como contou, estava em construção na época em que morou em Jacarta. "Essa casa de louvor para milhares de muçulmanos foi desenhada por um arquiteto cristão", afirmou.

Além do interesse estratégico dos EUA na cooperação com a Indonésia no contraterrorismo, Obama buscou estreitar a parceria com essa economia emergente em fóruns nos quais serão discutidas a economia mundial e a mudança climática. No primeiro tópico, não chegou a extrair do presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, o apoio que a Índia ofereceu dois dias antes à iniciativa dos EUA de injetar US$ 600 bilhões em seu mercado. Mas a Casa Branca ainda espera contar com uma posição menos dura da Indonésia contra essa medida na reunião dos líderes do G-20, o grupo das maiores economias, na sexta-feira em Seul, Coreia do Sul.

Para dezembro, quando se dará a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-16), a Indonésia tenderá a ser um dos principais atores, na avaliação dos EUA, que pouco terá a oferecer por causa da nova composição do Congresso americano. Mas a Casa Branca observa de perto o desdobramento da oferta indonésia de redução entre 26% e 41% em suas emissões de gases do efeito estufa, se algumas condições forem aceitas.

O temor do avanço do poder da China na Ásia tem sido trabalhado não apenas por Obama, com seu roteiro por quatro países, mas também pelos secretários de Defesa, Robert Gates, e de Estado, Hillary Clinton. Ontem, enquanto Obama tratava da cooperação com a Indonésia na área de contraterrorismo, Gates fazia o mesmo na Malásia. A Hillary coube a tarefa de tratar da relação bilateral e questões estratégicas com as autoridades chinesas na Ilha de Hainan, onde a China mantém um complexo militar e de espionagem informática, na semana passada.

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