Na Irlanda do Norte, dois mil protestam contra violência

Mais de 2 mil pessoas, entre católicos e protestantes, se reuniram hoje para um protesto silencioso contra os dissidentes do Exército Republicano Irlandês (IRA, nas iniciais em inglês). Desde o fim de semana, esses dissidentes colocaram em cheque a paz na região, com ataques que deixaram três mortos. A multidão se reuniu na hora do almoço em frente à sede do governo municipal de Belfast para marcar seu protesto contra a pior violência causada pelos dissidentes do IRA em uma década. Outras milhares também se reuniram em pelo menos outras três cidades, incluindo as predominantemente católicas Londonderry e Newry, onde os dissidentes são ativos. "Não voltemos para trás", diziam cartazes em todos os protestos. Em Belfast foram realizados cinco minutos de silêncio durante o protesto. Muitos presentes disseram querer garantir que a próxima geração não enfrente as experiências de décadas passadas, quando a violência na Irlanda do Norte deixou 3.700 mortos."Acabem com essa loucura", pedia um editorial na capa do Belfast Telegraph, ao lado de fotos dos três mortos, o guarda da polícia Stephen Carroll e dois soldados britânicos, Patrick Azimkar e Mark Quinsey. O IRA Continuidade matou Carroll a tiros na noite de segunda-feira. Outra facção, o IRA Autêntico, matou dois militares e feriu outras seis pessoas na noite de sábado. Ontem, foram presos dois suspeitos por envolvimento na morte do policial. Ambos estão sendo interrogados hoje em Antrim, cidade a oeste de Belfast.Em Roma, o papa Bento XVI advertiu sobre a ameaça que a violência pode representar para o processo político na Irlanda do Norte. Os líderes britânicos protestantes e irlandeses católicos do país, que formam uma coalizão de governo há 22 meses, partiram nesta quarta-feira para os Estados Unidos, a fim de buscar mais apoio norte-americano ao processo de paz e também mais investimentos no país de 1,7 milhão de habitantes.

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