Na Irlanda, Obama revisita suas ''raízes europeias''

Presidente ressalta ''ligações históricas'' - não só dele, mas também dos EUA - com país de maioria católica

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Com direito a um copo de cerveja e visita à cidade de seus antepassados na Irlanda, o presidente dos EUA, Barack Obama, iniciou ontem sua visita à Europa na qual fará escalas também na Grã-Bretanha e na França, onde deve discutir temas relacionados ao processo de paz no Oriente Médio e às ações da Otan contra Muamar Kadafi, na Líbia. Antes de retornar, o líder americano ainda passa pela Polônia.

Os parlamentares britânicos aguardam seu discurso amanhã e a expectativa é que Obama se aprofunde na discussão dos pontos de seu pronunciamento para o mundo árabe. A Grã-Bretanha tem uma preocupação especial em relação à Líbia, onde comanda com a França as forças da Otan contra Kadafi. Hoje, o presidente reúne-se com o premiê David Cameron durante o dia e, à noite, terá um jantar com a rainha Elizabeth.

O Oriente Médio também estará no centro das discussões de Obama com líderes do G-8 na França. Além de debater uma ajuda internacional para apoiar a transição para a democracia e a modernização da economia no Egito e na Tunísia, o presidente americano buscará convencer os demais países a não aderir à iniciativa palestina de tentar o reconhecimento do Estado na Assembleia-Geral da ONU neste ano.

Britânicos e franceses já indicaram que, se não houver avanço no processo de paz, podem seguir a via do Brasil e outros países, reconhecendo o Estado palestino nas fronteiras pré-1967. Obama rejeita uma ação unilateral palestina a afirma que as linhas de 1967, que separam a Cisjordânia de Israel, devam apenas servir de base para as fronteiras do futuro Estado, com os ajustes necessários que levem em conta as mudanças demográficas nos últimos 44 anos.

Na visita à Irlanda, sempre ressaltando as ligações históricas não apenas dele, mas também dos Estados Unidos, com o país, Obama disse que ele e sua mulher, Michelle, visitaram a vila e Moneygall e viram a casa de seu ancestral. "Aproveitei e passei pelo pub", disse. No local, Obama tomou um copo de uma tradicional cerveja irlandesa, recebendo aplausos.

O presidente aproveitou ainda para encontrar-se com um primo de oitavo grau pelo lado materno - o pai do líder americano era do Quênia. "Conheci meu primo Henry, que agora passará a ser chamado Henry VIII", brincou Obama, em alusão ao parentesco entre os dois. Em seguida, em discurso em uma tradicional universidade de Dublin, o presidente contou a história da imigração de seus antepassados para os Estados Unidos.

Os irlandeses são um dos principais grupos de imigrantes para o território americano. Ao longo de séculos, foram vítimas de preconceito por serem católicos em um país majoritariamente protestante. A vitória de John F. Kennedy, de origem irlandesa, há cinco décadas, foi considerada um acontecimento histórico na época, quase equivalente à eleição de Obama em 2008, ao ser o primeiro negro a vencer a disputa presidencial americana.

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